2 de maio de 2016

[Resenha] Dama da Meia-Noite - Cassandra Clare

Autor(a): Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501401083
Páginas: 574
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Emma Carstairs é uma Caçadora de Sombras, uma em uma longa linhagem de Caçadores de Sombras encarregados de protegerem o mundo de demônios. Com seu parabatai Julian Blackthorn, ela patrulha as ruas de uma Los Angeles escondida onde os vampiros fazem festa na Sunset Strip, e fadas estão à beira de uma guerra aberta com os Caçadores de Sombras. Quando corpos de seres humanos e fadas começam a aparecer mortos da mesma forma que os pais de Emma foram assassinados anos atrás, uma aliança é formada. Esta é a chance de Emma de vingança e a possibilidade de Julian ter de volta seu meio-irmão fada, Mark, que foi sequestrado há cinco anos. Tudo que Emma, Mark e Julian tem a fazer é resolver os assassinatos dentro de duas semanas antes que o assassino coloque eles na mira.

Quando terminei Cidade do Fogo Celestial eu fiz uma promessa (que quebrei logo em seguida) de nunca mais ler nada relacionado aos Caçadores de Sombras. Mas é aquele ditado: vamo fazer o que né? Inicio essa resenha reiterando a promessa: não volto mais. Porque tem uma hora que cansa ler sempre a mesma história, apenas com personagens diferentes.

Se você nunca teve contato com a escrita da autora, pode ter certeza que vai amar o livro. Eu, por já ter lido as outras duas séries, achei farinha do mesmo saco. E explico o motivo. Cassandra não sai fora da casinha, seja por medo de arriscar algo mais ousado, seja por estar confortável nessa posição. Aqui, temos o mesmo que já presenciamos nos outros livros dela: amor proibido, um vilão a ser derrotado, alguma traição grave, várias dúvidas, triângulo amoroso. Os mesmos elementos de sempre.

Eu insisti em ler Dama porque minha caridade paciência é grande e eu queria ver se tinha havido alguma mudança. Não ouve. O foco da narrativa é até interessante, Emma é uma personagem forte, mas faltou aquele tempero que me fizesse grudar no livro, como ocorreu nos primeiros de TMI e em toda série TID.

O livro não é de todo ruim, os diálogo entre Emma e Julian são beeeeeeem tensos, e algumas cenas de ação realmente fizeram ser bom. Mas eu confesso que esperava mais, muito mais. Acredito que por eu já ter conhecimento da escrita e da temática, se tornou cansativo.

O início, principalmente, é muito devagar devido às explicações dos acontecimentos dos livros anteriores. Isso se deve ao fato de ser uma série nova e eu super entendo a autora dar uma noção para quem não conhece. Embora não tenha me impedido de fazer leitura dinâmica.

Eu sei que provavelmente vou quebrar a promessa em algum momento, até porque o final deixa uma ponta solta que me deixou com uma curiosidade de leve e eu quero saber as respostas para algumas outras perguntas. Mas por enquanto, eu vou deixar um pouco de lado as marcas, estelas e pedras enfeitiçadas.

Volto a repetir que o livro não é ruim, só não me conquistou como eu esperava que fizesse. Óbvio que recomendo a quem gosta da série, e também a quem não conhece. A diagramação do livro está bem feita, a capa é maravilhosa, mas encontrei alguns erros de revisão, como troca de letras nas palavras, nada que interfira de forma significativa na leitura.

26 de abril de 2016

[Resenha] Namorado de Aluguel - Kasie West

Autor(a): Kasie West
Editora: Verus
ISBN: 9788576864356
Páginas: 250
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Quando Bradley, o namorado de Gia Montgomery, termina com ela no estacionamento do baile de formatura, ela precisa pensar rápido. Afinal, ela vem falando dele para suas amigas há meses. Esta era para ser a noite em que ela provaria que ele não é uma invenção de sua cabeça. Então, quando vê um garoto esperando pela irmã no estacionamento do baile, Gia o recruta para ajudá-la. A tarefa é simples: passar por namorado dela — apenas duas horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. Depois disso, ela pode tentar reconquistar o verdadeiro Bradley.
O problema é que, alguns dias depois do baile, não é em Bradley que Gia está pensando, mas no substituto. Aquele cujo nome ela nem sabe. Mas localizá-lo não significa que o relacionamento de mentira deles acabou. Gia deve um favor a esse cara, e a irmã dele tem a solução perfeita: a festa de formatura da ex-namorada dele — apenas três horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. 

Assim que li a sinopse eu já associei este livro à mil filmes adolescentes que eu já havia assistido. Aqueles com o enredo clichezão, beeeeeeeeem previsíveis, mas que se tornam um vício impossível de largar, sabe? E não me enganei em nenhum momento.

O enredo é aquele batido que todo mundo já está acostumado: garota popular, rainha-abelha, tem tudo e todos aos seus pés, até que na noite do baile de formatura leva um pé na bunda. Mas se engana quem pensa que Gia é a Regina George da história. De início a personagem pode até parecer superficial, mas ela tem o coração bom, como é revelado ao longo da trama.

Eu me apaixonei de cara pela narrativa, a escrita da autora é super fluida e levinha, o que fez ser impossível eu largar do livro. O falso Bradley (não vou revelar o nome, pois é uma das partes mais divertidas) é o típico mocinho dos filmes adolescentes, você pode imaginá-lo como quem preferir (eu optei pelo Zac Efron) que ele se encaixa. Ele é atencioso e é inegável a química entre ele e Gia.

Durante toda a leitura eu não esperei grandes revelações ou algo bombástico, simplesmente por saber que não era sobre isso que o livro se trataria. Existe um amadurecimento na personagem principal, aquele baque que mostra a realidade para ela e impulsiona uma mudança. E isso é algo típico de toda a adolescência. Todos os personagens foram muito bem construídos e eu gostei de como todos eles tiveram uma função, inclusive os secundários.

Namorado de Aluguel tem todos os elementos básicos de uma comédia romântica adolescente e acredito que isso influenciou bastante na minha opinião. Eu adoro essas temáticas, motivo pelos quais amo filmes teen, e nesse quesito o livro não decepcionou.

Não recomendo que você vá com muita sede ao pote, a história é básica e não foge do lugar comum. Muitos podem dizer que esse livro é só mais um entre mil iguais (e por mais que eu não goste, concordo em partes). Os personagens podem ser encontrados em outros livros, assim como o enredo, mas ele é a pedida perfeita para uma tarde em que você só quer uma leitura leve.

A história é extremamente fofa, com alguns momentos de descompassar o coração e tirar o fôlego, e eu achei incrível justamente por isso. Se o gênero não te agrada, não recomendo. Mas a quem, assim como eu, ainda tem uma pedaço adolescente que se derrete por clichês, se joga, que não vai rolar decepção.

25 de abril de 2016

[Resenha] O Primeiro Último Beijo - Ali Harris

Autor(a): Ali Harris
Editora: Verus
ISBN: 9788576864479
Páginas: 448
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: “O primeiro último beijo” conta a história de amor de Ryan e Molly, de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo do caminho. Na primeira vez em que eles se beijaram, Molly soube que ficariam juntos para sempre. Seis anos e muitos beijos depois, ela está casada com o homem que ama. Mas hoje Molly percebe quantos beijos desperdiçou, porque o futuro lhes reserva algo que nenhum dos dois poderiam prever…
Esta história comovente, bem-humorada e profundamente tocante mostra que o amor pode ser enlouquecedor e frustrante, mas também sublime. Na mesma tradição de P.S. Eu Te amo e Um Dia, O Primeiro Último Beijo vai fazer você suspirar e derramar lágrimas com a mesma intensidade.

A primeira coisa que você deve saber sobre esse livro é que você vai chorar. E muito. Ora as lágrimas vão ser de tristeza, ora de alegria. Mas mantenha em mente que é uma narrativa bem forte.

Contado pelo ponto de vista de Molly, o livro passeia entre recordações, postagens do blog de Molly, e o presente. Como se fosse um filme revisitado, o que inclusive fica claro na diagramação do livro, vamos conhecendo a história do casal. Isso foi um dos pontos que mais gostei, de como o livro é construído em torno dos beijos e tudo vai se entrelaçando, deixando o livro bem coeso.

Eu demorei um pouco a engrenar na narrativa, pois foi difícil me acostumar com a linha temporal. Isso aconteceu porque o livro vai e volta, não segue uma sequência imediata das datas. Porém, depois que consegui me acertar, não consegui largar o livro. A escrita da autora é muito envolvente e, apesar do tamanho avantajado do livro, eu consegui terminá-lo em poucos dias.

Os personagens foram muito bem descritos, com suas personalidades fortes e bem críveis. Senti falta de uma maior interação de Molly com os pais, mas entendi que a razão disto não ter sido muito bem explorado. Ryan é o típico galã de comédias românticas, mas isso não um faz um idiota, pelo contrário. Eu gostei muito de como ele não desistiu de Molly, mesmo depois das mil patadas e pisadas na bola que ela fez. Outras personagens que gostei bastante foram as melhores amigas da protagonista, Casey e Mia. A troca de farpas entre as duas é muito boa, sem contar o apoio que elas dão à Molly.

Existe uma carga emocional muito grande no livro, mesclada a alguns momentos mais leves, isso me deixou numa tensão e não querendo chegar ao final e descobrir o desfecho. Não vou mentir dizendo que não é dramática, pois é sim. O enredo todo trama do amor na forma real, dura, sofrida, mas que também proporciona alegrias enormes.

Eu tentei não chorar com o final (e falhei lindamente). Foi digno de filme mesmo, completamente emocionante. E passei um tempo com uma ressaca, pois precisava digerir a história. Creio eu que nem todos irão gostar do livro, principalmente por conta da linha temporal meio confusa. Mas eu recomendo fortemente que embarquem na leitura, pois vale muito a pena.

8 de abril de 2016

[Resenha] A Lente de Marbury - Andrew Smith

Autor(a): Andrew Smith
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582351505
Páginas: 288
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 4/5 + ♥

Sinopse: Um sequestro, um assassinato, um par de óculos… Aos 16 anos, tudo o que Jack mais quer é curtir as férias de verão com seu melhor amigo, Conner, e eles vão dar uma grande festa para celebrar o fim das aulas. Mas algo dá muito errado! Jack perde a linha, fica bêbado e acaba caindo nas mãos de um maníaco que o droga e o sequestra. Ele escapa por um triz, e só conta o que sofreu para Conner. O amigo tenta tranquilizá-lo, dizendo que tudo vai acabar bem. Mas será que vai? A viagem de férias para a Inglaterra parece ser a oportunidade perfeita para se livrar de seus fantasmas, mas Jack sabe que sua vida nunca mais será a mesma. Em Londres, um estranho lhe entrega um par de óculos cujas lentes lhe mostram um outro mundo. Um local chamado Marbury. Marbury está em guerra. É um lugar desolador que cheira à morte e destruição, onde os poucos sobreviventes precisam fugir se quiserem continuar vivos. Nesse mundo apocalíptico, Jack é responsável por dois garotos mais jovens, que são seus únicos companheiros, e também precisa enfrentar Conner, que o persegue e quer matá-lo. Será que Jack conseguirá escapar e lutar com seu melhor amigo? Será que tudo o que ele viu nesse unverso paralelo é real, ou seriam apenas alucinações provocadas pelas drogas que o sequestrador lhe injetou? Como agir quando loucura e realidade se confundem? Jack está perdendo o controle e sua única certeza é que sua vida está em jogo.

Já conhecia a escrita do autor e sei como ela é viciante. No primeiro contato com ele, a narrativa era mais melancólica, mas aqui fui apresentada a um mundo distópico que me deixou sem fôlego. A Lente de Marbury é o primeiro livro de uma série e traz a história de Jack, que se depara com uma realidade bem diferente da que estamos acostumados.

A narrativa avança num ritmo frenético que de início me pareceu meio confuso, mas depois percebi que essa era a intenção do autor. O ponto de vista em primeira pessoa realmente mexeu com a minha cabeça, me fazendo questionar se aquilo tudo o que acontecia era real ou só maluquice da cabeça de Jack. O clima do livro é muito sombrio, mas não no estilo terrorzão que não te deixa dormir de noite. É mais como um thriller que vicia e você não consegue largar.

Eu gostei muito da construção dos personagens, todos eles são pontos chaves na trama. Conner, o melhor amigo de Jack, foi o que mais me surpreendeu, com seu amadurecimento no pensamento e com a sua outra personalidade em Marbury. Também achei muito importante a presença de Seth e sua história, contada em partes, que me deixou com vontade de sair caçando só essas partes para saber como terminaria.

O autor trabalhou muito bem os dois ambientes, a "realidade" e a de Marbury. Gostei muito da analogia feita com as varias camadas da matrioska. O enredo transita entre os dois locais e cada entrada e saída de um deles me pareceu como voltar de um afogamento.

Por ser o primeiro de uma série, é claro que existem várias pontas soltas. Algumas foram atadas durante a trama, mas outras que ficaram em aberto deixaram um verdadeiro nó na minha cabeça. Chegando perto do final, eu sabia que não seria capaz de largar o livro por nada nesse mundo e não me arrependo.

O final foi de arrepiar, uma das últimas partes envolvendo Conner me deixou com muitas dúvidas. Surgiram mais perguntas ainda na minha cabeça e daqui a pouco vou levantar a plaquinha "publica o segundo já, Gut" no Twitter.

A Lente de Marbury foi mais um livro excelente que li do Andrew e acredito que é um que vá agradar a todos. A diagramação da editora está muito boa, porém encontrei alguns erros na revisão, mas nada que prejudique seriamente a leitura. Recomendo muito a leitura!

5 de abril de 2016

[Resenha] A Matéria dos Sonhos - Valéria Martins

Autor(a): Valéria Martins
Editora: Jaguatirica
ISBN: 9788566605945
Páginas: 290
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Jovem rica e mimada, Mariana sofre uma imensa decepção amorosa às vésperas do casamento e cai em depressão. Seu irmão aventureiro a incentiva a empreender uma viagem a Chapada Diamantina, na Bahia, a fim de espairecer e encontrar um novo rumo. Lá ela se depara com paisagens belíssimas, conhece um modo de vida bem diferente do que estava acostumava, envolve-se com o guia turístico Alex e desfruta a verdadeira amizade com Claudia, menina maluquinha a quem o destino a uniu para sempre.
A matéria dos sonhos é um romance sobre busca, amor, amizade e encontro.

O livro começa mostrando Mariana durante a última prova do vestido de casamento, porém profundamente infeliz. Logo de cara deu para perceber que a última coisa que ela queria era se casar, o que me levou a pensar nos motivos que ela tinha para seguir em frente com isso. Por sorte (ou azar), o casamento é cancelado, levando a protagonista à depressão.

O pontapé inicial do livro pode até parecer batido, mas o desenvolvimento que a autora dá em toda a trama torna a história muito interessante. A busca de Mariana por uma cura para suas feridas faz com que ela amadureça muito e perceba que existem muitos motivos para seguir em frente, por mais tristes que estejamos.

Eu gostei muito de como a personagem muda durante o enredo, passando de uma garota extremamente fresca, fútil e materialista, para alguém que consegue enxergar por dentro das pessoas. Isso tudo não seria possível sem os personagens secundários, que são muito importantes. Senti falta de uma maior participação do irmão de Mariana, mas gostei muito da interação dela com Cláudia. Esta foi outra que mudou muito (e para melhor) durante a narrativa.

Um dos pontos mais positivos do livro é o local onde a história se passa. Várias vezes já li livros nacionais onde a personagem está triste e resolve viajar, porém para fora do país. Valéria mostrou que existem lugares mágicos e incríveis bem aqui no nosso país e isso me encantou. A autora passa muitos detalhes da cultura local e a narrativa em terceira pessoa fez com que eu me sentisse nos passeios turísticos da Chapada.

Uma das coisas que me incomodou durante a leitura foram os capítulos. Constituído por apenas cinco, senti que em algumas partes a trama ficou arrastada e em outra muito corrida (como no final). Os detalhes foram importantes ao descrever a viagem, porém outros se tornaram cansativos, como a descrição de roupa, maquiagem, etc.

A escrita é bem fluida e, mesmo nos capítulos longos, coesa. Tanto que li o livro em menos de um dia, não conseguindo largar. A mensagem que ele traz é muito bonita, mostrando que devemos nos desapegar das coisas materiais e nos concentrarmos em nós mesmos. Muitas vezes a vida passa e nossas realizações e sonhos ficam para trás, pois não nos permitimos arriscar.

Eu gostei muito do livro, foi uma leitura que veio no momento certo da minha vida. Indico para todos que estão em busca de um propósito maior ou que tenham esquecido de si mesmos. E agradeço a autora pela oportunidade que tive ao lê-lo.

O livro está a venda em eBook na Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B018H26EV6

4 de abril de 2016

[Resenha] Outro Dia - David Levithan

Autor(a): David Levithan
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501106834
Páginas: 322
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

Li este livro em inglês no ano passado e achei incrível ler pelo ponto de vista de Rhiannon. E como sou masoquista, solicitei o livro em português pra sofrer mais um pouco. O resultado foi ler em menos de 24h e ficar com aquela ressaca literária enorme e o coração partido novamente.

Rhiannon pode não ser como você, mas certamente existe alguém como ela na sua vida. Em Outro Dia existem duas fases dela, antes de A e depois. Admito que já agi da mesma forma que a personagem no início do livro, com essa necessidade de resolver os problemas de todos como se fossem meus. Ela faz ótimas reflexões e quando eu li, foi como se eu tivesse escrito aquilo em um diário.

Ela é forte (mais do que imagina) e é capaz de amar com todo o seu ser. Aceita quando não é correspondida com a mesma intensidade. E é aí que mora o problema. Esse acomodamento dela, talvez por medo de mudanças, de encarar o mundo sem estar se apoiando a alguém. Ela ama Justin por ela e por ele, e nisso ela esquece de si mesma. Falando por experiência própria posso afirmar para vocês que não é nada bonito.

É doloroso ver como ela se esforça para conseguir uma migalha que seja da atenção do namorado. E é excelente ver sua transformação durante o livro conforme A entra em sua vida. O mais legal é que as mudanças acontecem de forma natural e não são impulsionadas por ele (ela?), mas sim pela protagonista. Ela decide sair do seu lugar comum e descobre que o mundo não é um lugar tão assustador.

Eu gostei muito de ver a interação de Rhiannon com seus amigos. Em Todo Dia só temos pequenos vislumbres, mas aqui é excelente ver como eles a apoiam nas situações e até dão uns puxões de orelha. Rebecca é, sem dúvida, a minha favorita. Tem uma parte excelente em que ela dá um sacode na Rhiannon, mesmo que ela não tenha conseguido enxergar como foi importante na hora. A protagonista tenta justificar (mais uma vez) uma atitude ridícula do namorado e solta a frase "mas ele não me bate". E Rebecca dá o melhor discurso de todos, mostrando o quão padronizada é essa frase. Ela alerta para o problema da romantização de um relacionamento abusivo, onde muitas pessoas acreditam que é ok estar infeliz, que a pessoa que deveria te apoiar pode ser um babaca na maior parte do tempo, contando que não te bata.

Só quem passa por um relacionamento abusivo, quem está tão atado a outra pessoa que não sabe como é ter uma vida longe desta, sabe como é difícil. Quem está de fora muitas vezes não percebe, mas são as brigas constantes, o sentimento de não ser suficiente, as mil justificativas que são encontradas para os comportamentos. E por mais que um ou outro tente mostrar que aquilo é errado, nem sempre funciona. É algo que deve partir da própria pessoa e isso é o que acontece com a protagonista. Ela amadurece bastante ao longo da trama e isso é incrível de ver.

Nem preciso dizer que o final me destruiu por completo, mesmo que eu já soubesse muito bem o que iria acontecer. Mais uma vez Levithan trouxe uma história que me emocionou e abriu minha mente. Ele mostra que é possível amar além das aparências, mas acima de tudo deixa claro que é importante se amar primeiro. Todas as dificuldades colocadas entre A e Rhiannon indicam que amar não é fácil, mas se tivermos coragem e força somos capazes de conseguir.

25 de março de 2016

[Resenha] Três Chances - Desejos #2 - Alexandra Bullen

Autor(a): Alexandra Bullen
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501086945
Páginas: 304
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 4,5/5

Sinopse: Hazel sempre esteve sozinha. Abandonada pela mãe ainda bebê, ela foi mandada de lar em lar por toda a vida. Mas ao completar dezoito anos, o destino lhe preparou uma surpresa. Presenteada com vestidos mágicos, Hazel tem direito a três desejos. E tudo o que ela mais deseja é conhecer sua mãe.
É assim que a garota é transportada para o passado, numa chance única de mudar seu destino, se apaixonar perdidamente, e criar laços de amor com sua família. Mas para que possa refazer a história sem prejudicar seu futuro, Hazel precisa saber exatamente que desejos fazer.

Conheci a escrita da autora com o primeiro livro da série Desejos. Novamente me encantei com a narrativa leve e com os pequenos toques de drama e bom humor presentes.

Quando terminei Desejos pensei que a continuação também se trataria de Olivia, mas agradeço por ter sido apresentada a Hazel. Ela é órfã e muito fechada em seu mundo, mas tudo muda com seu aniversário de 18 anos. Afinal, qual presente seria melhor do que descobrir o nome de sua mãe biológica?

Como seria de se esperar, a trama apresenta novamente a Mariposa Missionária, que presenteia Hazel com três maravilhosos e poderosíssimos vestidos. Três chances de mudar o passado e ter o futuro com que sempre sonhou. Mas a protagonista percebe que não é assim tão fácil fazer escolhas e que tudo tem uma consequência.

Achei a personagem desta "continuação" bem mais madura do que Olivia. Seja por ter tido mais dificuldades ou porque a escrita de Alexandra amadureceu, o fato é que gostei mais deste. Hazel não é impulsiva, pelo contrário, ela pensa bastante nas ações e consequências (às vezes até demais) e isso foi um dos pontos positivos da história. Por fugir ao lugar comum dos livros teen, apresentando uma adolescente imatura que precisa amadurecer e tomar decisões difíceis no final.

A trama tem todos os elementos já conhecidos do gênero, porém a autora acrescentou um toque especial a ela, que gerou toda uma diferença. A viagem temporal é muito importante e ajuda a protagonista a enxergar o mundo de uma forma diferente. O foco aqui não é descobrir a identidade da mãe, mas sim acompanhar a personagem principal em suas escolhas.

Mesmo sendo mais séria que as adolescentes encontradas em livros parecidos, Hazel ainda tem muito o que aprender e é isto que ocorre conforme a história avança. Não é algo forçado, acontece de forma bem natural e dinâmica. Por falar nisso, a leitura fluiu bem fácil, e eu nem senti vontade de querer ir olhar o final (confesso que faço isso com mais frequência do que eu gostaria de admitir).

Não espere um desfecho dramático ou cheio de reviravoltas. Não é disso que o livro se trata e por este motivo que eu gostei tanto dele. A simplicidade em cada página, a fuga da mesmice, tudo isso contribuiu para que eu quisesse morar dentro dessa história.

Três Chances é um livro que poucos irão gostar, justamente por não ser clichêzão e mais ligado a contos de fada. Mesmo assim eu recomendo a todos que leiam, pois a moral que ele traz é maravilhosa.

24 de março de 2016

[Resenha] Nunca Jamais - Never Never #1 - Colleen Hoover & Tarryn Fisher

Autoras: Colleen Hoover; Tarryn Fisher
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501106216
Páginas: 192
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Charlie Wynwood e Silas Nash são melhores amigos desde pequenos. Mas, agora, são completos estranhos. O primeiro beijo, a primeira briga, o momento em que se apaixonaram... Toda recordação desapareceu. E nenhum dos dois tem ideia do que aconteceu e em quem podem confiar.
Charlie e Silas precisam trabalhar juntos para descobrir a verdade sobre o que aconteceu com eles e o porquê. Mas, quanto mais eles aprendem sobre quem eram, mais questionam o motivo pelo qual se juntaram no passado.

Já conheço muito bem a escrita da Colleen e sei como ela pode te levar da alegria extrema para a depressão profunda em menos de um minuto. Não conhecia a de Tarryn, mas gostei muito do que li.

A narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de ambos os protagonistas. E isso que fez com que eu gostasse mais do livro. Porque tornou possível embarcar na confusão mental dos dois e começar a questionar tudo. E isso é o que mais ocorre durante a trama.

O livro tem uma carga emocional muito grande, mas não é no estilo de fazer você morrer de chorar. Nesse caso, era como se sempre tivesse alguém à espreita, te observando por trás do ombro sem que você notasse. Sabe aquelas cenas de filme que tem alguém seguindo a pessoa, e essa percebe, mas quando olha não tem ninguém? Foi essa a sensação que tive durante a leitura.

Com menos de 200 páginas, muitos podem achar que é um enredo corrido e cheio de buracos. De fato existem muitas pontas soltas, mas não achei corrido, pelo contrário, eu queria mais. Gostei de ir descobrindo e unindo as peças junto com Charlie e Silas.

Falando nisso, nesse livro o foco é 99% neles, e mesmo que eu goste da construção de personagens secundários, gostei de não ter acontecido isso aqui. A perda de memória fez com que os mesmos reavaliassem toda a sua vida, meio que sendo uma segunda chance de mudar os costumes, antes que fosse tarde demais. Não tem como falar muito sobre a personalidade deles, pois poderia soltar algum spoiler involuntário e isso seria imperdoável (neste caso).

Mesmo se passando no Ensino Médio, a narrativa apresenta um tom bem mais sério do que os YA's que estava acostumada. E eu gostei bastante disso, pois não senti que foi algo forçado no estilo "estamos escrevendo para jovens, então temos que usar a linguagem deles". Isso foi um dos pontos mais positivos da leitura, sem contar que menos sempre é mais.

Não pense que por ser uma história curta existam poucas pistas. Muito pelo contrário, acredito que absolutamente tudo seja importante. Até mesmo um papel de bala, por exemplo. Eu sou apaixonada por livros que são escritos dessa forma, pois eles praticamente me transformam numa detetive (tenho PhD em procurar pistas por conta das 6 temporadas de Pretty Little Liars) e eu fico eufórica quando acerto alguma suposição.

O livro termina com um cliffhanger ENORME (em caps e negrito porque é bem assim) e eu fiquei desesperada querendo a continuação. Se você, assim como eu, é louco por suspense, um cado de amor e muito, mas muito nó na cabeça, então Nunca Jamais é um prato cheio para você. A leitura fluiu bem facilmente e quando eu percebi já estava meio louco (tipo Charlie e Silas).

Ps.: Não gostei da tradução do título, podia ter sido Never Never mesmo. rs

23 de março de 2016

[Resenha] Volta Para Mim - Mila Gray

Autor(a): Mila Gray
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414875
Páginas: 272
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Kit Ryan está de volta à sua amada Califórnia, de folga do serviço militar. Conquistador inveterado, ele só quer aproveitar as quatro semanas livres antes de retornar ao trabalho, mas se vê atraído pela irmã de Riley, seu melhor amigo. Há tempos Jessa Kingsley chama sua atenção, porém a família superprotetora dela sempre foi um obstáculo.
Desta vez, contudo, Kit desiste de lutar contra os próprios sentimentos e logo Jessa se rende ao seu charme. O que começa apenas como um romance de verão rapidamente se torna um relacionamento apaixonado.
Quando chega a hora de Kit voltar ao serviço com Riley, nem ele nem Jessa estão prontos para se despedir. Ela enfim está seguindo os seus sonhos e ele descobriu alguém por quem sacrificaria tudo. Jessa promete esperá-lo e Kit garante que voltará para ela. Não importa o que aconteça.
Mas então uma visita inesperada traz uma notícia trágica: uma das pessoas que ela mais ama morreu em serviço. Quem terá sido? Seu irmão ou seu namorado?

Quando comecei a leitura já sabia que iria me acabar de chorar. Não deu em outra. Construído de forma sutil e intercalando os pontos de vista de Kit e Jessa, Volta Para Mim apresenta o amor na sua forma mais pura.

A narrativa não se concentra somente na pergunta inicial, até porque demora bastante para o leitor descobrir quem morreu. Existe mais do que drama no enredo, pois Jessa está vivendo seu primeiro amor e não poderia ser mais maravilhoso. Além disso, os capítulos divididos ajudam bastante a construir uma história que não seja unilateral.

Eu gostei muito da forma como foram apresentados os personagens, porém senti falta de uma participação maior dos secundários. Boa parte deles estavam lá apenas para preencher linhas, meio que deixando todo o foco no casal protagonista. Um exemplo de personagem que poderia ter sido melhor trabalhado é a mãe de Jessa, poucas cenas com ela foram expressivas e isso só mais para o final do livro. Didi, a melhor amiga de Jessa, também poderia ter tido mais destaque. Seu bom humor deu um tom de leveza na trama, o que poderia ter sido incluída mais vezes.

Eu não consegui largar o livro desde o início. Gostei muito da escrita da autora e todas as cenas são muito bem intercaladas, o que fez com que a leitura fluísse muito bem. Mila conseguiu transmitir os sentimentos dos personagens de uma forma intensa e às vezes eu queria me transportar para as páginas apenas para presenciar o desenrolar mais de perto.

O que mais me chamou atenção na história é que não se trata apenas de amor, mas de perdão e redenção. E isso não só para os protagonistas, nessa parte até o secundários tem sua importância no caminho de se perdoar, pois isso é importante.

Mais ou menos da metade para o final do livro existe uma grande mudança e todos os personagens amadurecem muito. Eu gostei de como isso não soou forçado nem irreal, afinal perder alguém importante muda demais uma pessoa. A narrativa adquiriu um tom um tanto mais sério, mas sem perder os toques de nostalgia.

Muitos podem achar o desfecho como algo batido, mas eu acredito que soou de forma bem realista. É necessário se perdoar e se redimir antes de conseguir seguir em frente. E isso foi o que aconteceu com todos. Volta Para Mim é bem mais do que uma simples história de amor adolescente. Eu me apaixonei desde o início e considero este um livro muito especial. Leitura mais do que recomendada.

14 de março de 2016

Sobre After e a romantização dos relacionamentos abusivos

Há um bom tempo que estou para escrever esse texto, mas sempre faltou aquela inspiração para conseguir me expressar bem. Finalmente consegui colocar as palavras que há muito habitavam minha cabeça, então:


Comecei a ler After por conta dos muitos comentários que vi, positivos ou não. Disseram para mim que eu iria “amar odiar a história” ou “odiar amar”, coisas do tipo. Comentei na resenha que fiquei viciada com o enredo do primeiro livro. Porém, conforme fui avançando na série um problema me saltou aos olhos. O relacionamento de Tessa e Hardin está muuuuuuuuito longe de ser saudável. E pior ainda é ver a forma como ele é retratado no livro, como algo romântico (oi?).

Desde o início, Hardin foi um completo imbecil com Tessa. A autora tenta passar a ideia de que ele é um bad boy, revoltado com a vida e que não se importa com nada. E isso é verdade até certo ponto, mas não faz o menor sentido Tessa cair de quatro por ele, apesar de todas as humilhações que ela sofreu. E são tantas que se eu for parar para enumerar, capaz de sair um livro enorme só sobre isso.

Sabe aquele alarme que soa na cabeça quando você se depara com um relacionamento abusivo? A cada página que eu ia avançado, esse alarme se tornava mais e mais barulhento. Fica claro quando a narrativa alterna entre os pontos de vista, na forma como Hardin trata Tessa como posse. Porém, lá pelo meio do terceiro livro outro ponto se tornou claro para mim. Tessa poderia ser a vítima no caso, mas ela também fazia o papel de vilã.

Várias vezes ela utilizou os mesmos jogos com Hardin, teve a mesma postura possessiva. E isso é completamente doentio, gente. Ela parar e pensar que a vida não teria propósito sem estar ao lado dele. Deixar de lado seus planos, sonhos, para ficar com ele, como ela fez várias vezes. Ambos tinham atitudes ridículas para se afastar um do outro, mas sempre voltavam atrás. E tudo isso sob o plano de fundo de que aquilo é amor verdadeiro.

Daí eu paro e penso que este livro está sendo lido por milhares de garotas adolescentes. Que ainda não possuem o pensamento crítico completamente formado e vão achar super normal se um cara te tratar feito um cachorro, mas depois dizer que te ama. Estarão familiarizadas com situações hostis, humilhações públicas e achando que tudo se resolve na base do sexo.

No final da série existe um salto temporal, um amadurecimento por parte dos personagens. Porém, na vida real nem sempre é assim. Muitos relacionamentos como o deles terminam de forma trágica, é só olhar nas notícias. É errado dizer que “é só um livro”, “só ficção”, porque o que lemos nos molda. E mais errado ainda é tratar a situação como normal ou romântica. Pois um relacionamento baseado em mentiras, traições, humilhações e mais n coisas, passa longe de ser saudável.