13 de fevereiro de 2014

[Resenha] Adeus à Inocência - Drusilla Campbell

Título Original: Little Girl Gone
Autor(a): Drusilla Campbell
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632766
Páginas: 272
Tradutor: Robson Falcheti Peixoto
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 4/5

Sinopse: Madora tinha 17 anos quando Willis a “;resgatou”;. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?

Sabe quando um livro parece que não tem nenhuma profundidade, que vai ser só “mais um na estante” e quando você o termina fica com cara de taxo? Pois é, assim que me senti ao ler Adeus à Inocência. De início tive um pouco de estranheza com a história, pois Madora (a personagem principal) era muito, por falta de palavra melhor, tapada. Cheguei a sentir pena dela e raiva também.
O livro conta a história de Madora, aos 17 anos ela conheceu Willis, um aspirante a médico que a “resgatou”, enquanto ela ia ao fundo do poço. À medida que a história vai avançando, eu pude perceber que Willis não é o príncipe encantado de Madora, muito pelo contrário. O livro usa como base a Síndrome de Estocolmo, e pelo pouco que eu conheço dessa síndrome (que é meio que um estágio na mente de uma vítima de sequestro em que ela desenvolve um laço com o sequestrador) achei que foi bem explorada.
Madora, por muitas vezes, não percebe as atitudes de Willis, se submetendo a tudo o que ele diz sem nem questionar. Mas isso muda com a chegada de uma adolescente que lembrava muito sua “pessoa adolescente”, Linda é rebelde e está grávida, ao passo que Willis quer, desesperadamente, ajuda-la. Outro personagem importante na história é Django, um garoto de 12 anos que acabou de ficar órfão, e que aos poucos ganha espaço na vida de Madora.
Eu realmente não dava nada por esse livro e fiquei surpresa com o quanto ele me conquistou. A história tem sim suas falhas, alguns exageros nas cenas e na narrativa, mas gostei muito da forma crua como ela foi apresentada. Os personagens foram bem construídos, mas achei que algumas linhas da história de alguns foram desnecessárias, pois não foram bem explicadas.
A personagem principal, Madora, em algumas partes foi um verdadeiro terror. Existem limites para uma pessoa ser da forma que ela agia, isso me incomodou um pouco, mas não a ponto de me fazer odiar a história. O livro causou um misto de emoções em mim, mas a que predominou foi a pena.
Sim, eu senti muita pena dos personagens, da situação vivenciada por cada um, do sofrimento. Foi um livro doloroso de ler, tamanha era a dor que alguns deles tinham. Django foi um dos personagens que mais me surpreendeu, devido a sua força perante a tudo que o cercava. A narrativa do livro é em terceira pessoa, gostei disso, pois soube explorar bem todos os pontos da história.

Por fim, a história de Adeus à Inocência. tem total relação com o título. Tanto Madora, quanto Django amadureceram aos poucos, mesmo que de formar bruscas e dolorosas. A história possui certa profundidade, como eu disse antes, e isso talvez cause estranheza em alguns leitores. Mas eu recomendo a leitura.