10 de abril de 2014

[Resenha] Eleanor & Park - Rainbow Rowell

Autor(a): Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
ISBN: 9788542801255
Páginas: 325
Tradutor: Caio Pereira
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Existem livros que podem ser classificados como “apenas mais um na lista”, os que não fazem muita diferença na forma de enxergar a vida. Mas existem aqueles que chegam devagar, como um aluno tímido novo e que aos poucos preenchem espaço na sua vida e você percebe que não sabe como ficou esse tempo todo sem conhecê-lo. Foi isso que aconteceu comigo durante a leitura de Eleanor & Park. Confesso que de início tive receio com o livro, pois todas as opiniões que eu havia lido tinham amado a história e eu fiquei com medo de ele ser só mais um.

Eu não sei em qual ponto me rendi de vez à história, acho que aconteceu como com os dois personagens, aos poucos eles foram me conquistando. Eleanor com seu jeito pouco convencional poderia facilmente ser a aluna nova da minha escola no ensino médio, assim como Park poderia estar lá. E é isso que torna a história diferente, o fato de encontrar dentro da ficção personagens e sentimentos reais.

Uma coisa que sou apegada nos livros são os detalhes, e o livro é cheio deles, pequenos, daquele tipo que podem ser enxergados nas entrelinhas. E esses detalhes formam um conjunto lindo, é a descoberta do primeiro amor, a timidez quando os dedos se entrelaçam pela primeira vez, a incerteza do primeiro beijo e a (in)segurança do primeiro “eu te amo”. Cada um dessas pequenas coisas tem seu poder, um pequeno gesto como brincar com uma mecha do cabelo faz diferença. Acho difícil definir quando o “gostar” passa para o “amar”. Quando descobrimos que nem todo mundo é perfeito, quando descobrimos que o que nós odiamos em nós mesmo, outra pessoa pode gostar.

E é isso que acontece na história, em pequenos detalhes, em gestos e palavras significativas, Eleanor e Park descobrem o amor, a ansiedade da espera, a saudade. A história se trata dos dois, mas não é apenas sobre os dois, existem as partes difíceis da vida de Eleanor, as partes menos complicadas, mas nem tanto, da vida de Park. E tudo isso colide no final, o que me chocou, porque não era o que eu esperava.

Não sei dizer bem, mas chegando perto do final eu estava chorando, acho que pelo livro ser real, pela história não ser tão assim “de mentirinha”, ser algo que poderia (e na verdade pode) acontecer com alguém próximo, ou com nós mesmos. Me deu um nó na garganta, um aperto no coração, porque é uma história linda, mas a realidade sempre vem e tira a parte encantadora, mesmo que mantendo um pouco.


Eleanor & Park não foi, nem de longe, apenas mais um na lista. Ele é um dos poucos livros que me deixou com sentimentos conflitantes no final, mas é uma história que vou levar comigo para sempre. Eu sorri e chorei, consegui relembrar como é ficar nervosa apenas por perceber que alguém gosta de você, dos seus defeitos e qualidades, de como é você é você. Terminei a leitura com o coração apertado e uma felicidade agridoce, pois queria uma continuação.