21 de maio de 2014

[Resenha] A Batalha do Apocalipse - Eduardo Spohr

Autor (a): Eduardo Spohr
Editora: Verus
ISBN: 9788576860761
Páginas: 569
Ano: 2010
Avaliação: 4,5/5

Sinopse: Há muitos e muitos anos, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, erguendo armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.
Mais eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano, das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra Medieval, A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana: é também uma jornada de conhecimento, épico empolgante, repleto de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

Quando peguei A Batalha do Apocalipse pela primeira vez não tinha a menor ideia do que esperar do livro, o título me deixou bem curiosa, mas não sabia se era só a conhecida história da Bíblia ou se um enredo completamente diferente. Um pouco depois que comecei a ler percebi que era a segunda opção.

Nota-se claramente em todo o livro que o autor conhece muito bem a Bíblia e que sua maior inspiração surgiu de lá, mas engana-se quem pensa que vai sair um “entendedor de bíblia” ao ler o livro. Spohr cria uma narrativa totalmente nova e elaborada do que irá acontecer no “fim dos tempos”, religiosos dirão que o livro é pura blasfêmia, eu vejo como um livro de ficção que apenas utiliza alguns relatos bíblicos. 


A história gira em torno do fim do mundo (óbvio!) em que Deus (Yahweh) está adormecido desde o fim da criação e quem domina os céus é seu primogênito Arcanjo Miguel, basicamente Miguel e seus irmãos arcanjos são os vilões da história, responsáveis por toda tentativa de destruição dos seres de barro (como os humanos são chamados por eles), desde o dilúvio até Sodoma e Gomorra e etc. 


Porém o protagonista da obra é o querubim Ablon, um anjo guerreiro que foi, junto com seus amigos, expulso do céu por Miguel, por defender a humanidade e criar uma rebelião contra os tais. Ablon vive na Terra (Haled), se escondendo de seus inimigos e presencia o desenvolvimento da humanidade ao decorrer da história, criando assim um vínculo ainda maior com os humanos.  O principal relacionamento de Ablon é com sua grande amiga Shamira, a Feiticeira de En – Dor, que utiliza de seus conhecimentos místicos para se manter imortal.


Lúcifer não foi deixado de lado na narrativa, assim como Ablon ele também foi expulso do céu, por motivos parecidos, mas nem tanto, e têm um destino mais terrível que o querubim, sendo jogado ao Sheol (inferno), mas como ele é um arcanjo, a Estrela da Manhã cria todo um reinado  no “porão”. 


Agora o fim está próximo e a guerra já foi declarada pelo livro da vida há milénios, o sentimento de vingança dos renegados, a fome de poder dos arcanjos e o ódio na humanidade criam a maior batalha de todos os tempos. 


Eu achei incrível a criatividade do Eduardo, a lógica que ele cria nos acontecimentos históricos e bíblicos, a existência de várias dimensões (plano material, etéreo, entre outros) , seres (anjos, demónios, seres místicos com aura desconhecida) e energias.


A descritiva precisa de locais no mundo inteiro me chamou muito a atenção, ele passa a impressão de que já esteve em todos os locais citados, a riqueza dos detalhes e o enquadramento nos fatos (reais e fictícios) é impressionante. Sem falar na dança temporal que ele cria no livro, contando acontecimentos dos dias atuais e de eras passadas sem fazer o leitor se perder, Spohr viaja milhares de anos de um capítulo pro outro e isso não confunde nossa mente, muito pelo contrário, nos faz entender melhor a história.


Uma coisa muito interessante também foi a justificativa criada para a divisão entre a terra e o céu, onde o livro explica que existe uma película criada involuntariamente pelos humanos que "protege" a haled, e essa película é tão espessa quanto a falta de fé das pessoas.


E acho que o que mais me prendeu ao livro foi me surpreender quase todas as vezes que ele citava algo muito conhecido e disseminado pela bíblia e ele cria uma situação completamente diferente, exemplos são a Torre de Babel, a destruição de Sodoma e Gomorra e o que mais me impactou, a forma como ele trata Cristo (calma, não dei spoiler nenhum).


É claro que como nada é perfeito, encontrei algumas contradições no livro, como ele deixar claro no início que um anjo só pode ser morto se seu coração (centro de sua aura pulsante) for atingido, ou se enquanto estiver materializado seu avatar sofrer dano fatal e então no fim do livro fica extremamente fácil a morte dos anjos.


Mas entre prós e contras definitivamente o livro vale a pena, eu gostei muito da leitura e em muitos momentos me vi torcendo por personagens e querendo matar outros, o que pra mim é fundamental num livro. Super recomendo!