20 de junho de 2014

[Resenha] Os Escolhidos - The 100 #1 - Kass Morgan

Autor(a): Kass Morgan
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501400598
Páginas: 288
Ano: 2014
Avaliação: 2/5

Sinopse: Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.

Um dos motivos por ter me animado para ler The 100 – Os Escolhidos foi a série lançada pela MTV. Ainda não comecei a assistir o seriado porque quis ler antes para comparar (sempre assim), mas se a série seguir o mesmo ritmo do livro sinto que vou me decepcionar. Acho que grande parte de eu não ter gostado da história é porque fui com muita sede ao pote e ele estava meio que vazio, sabe?

The 100 – Os Escolhidos se passa num mundo pós-apocalíptico (alguns podem dizer que é distopia, mas eu não vi absolutamente nada de distopia na história). Depois que ocorreu uma guerra nuclear na Terra, os sobreviventes se mudaram para uma nave espacial (Arca) vivendo numa espécie de colônia dividia em três partes: Phoenix, onde era a parte “rica” dos sobreviventes e as outras duas eu entendi que eram as partes “pobres”: Walden e Arcadia. O livro começa com o envio de cem delinquentes juvenis para a Terra a fim de descobrir se ela já pode ser habitada.

A primeira incoerência que encontrei no livro foi a chegada deles a Terra, apenas 300 anos após a guerra, era de se esperar que um mundo que sofreu uma guerra nuclear estivesse completamente devastado, mas não, a Terra estava lá linda e fresca, pronta para ser habitada novamente (oi?).

O que mais me incomodou no livro foi a divisão dos capítulos entre quatro personagens: Clarke, Wells, Glass e Bellamy.
Pausa dramática
Demorei quase que o capítulo inteiro para descobrir que Bellamy era homem.
Fim da pausa dramática

Não só a divisão dos capítulos entre os personagens me incomodou, mas a personalidade deles próprios (ou de quase todos, até gostei da Glass), Clarke foi apresentada de início como uma órfã que deveria ser durona, mas na primeira dificuldade só me faltou a garota andar em círculos feito um peru tonto. Wells, ah Wells, filho do Chanceler (a pessoa que comanda a nave, meio que um presidente), ele tinha a faca e o queijo na mão para ser o “herói” da história, que arrisca tudo para ir junto com a garota que ama. Mas não, ele conseguiu ser um personagem mais temperamental e fazendo mais mimimi que eu durante a TPM.

Bellamy era um garoto de Walden, completamente desconhecido, mas que arranjou uma forma de embarcar no módulo de transporte a Terra para acompanhar sua irmã mais nova, Octavia. Meu problema com Bellamy foi: ele é muito ingênuo e tenta agir como um galo de briga. Sério, não dá. E por fim temos Glass, de longe a com o gancho de história mais misterioso, porque a cada cinco frases pelo menos uma era “mas ele não sabe o que eu fiz”. Até aí tudo bem, mas no meio dessa bagunça toda, eles me criaram um triângulo amoroso entre Clarke/Wells/Bellamy, que eu não faço ideia de onde surgiu e eu fiquei: hã?????.

O problema maior, porém, foram as milhões de pontas soltas e caminhos que a autora não soube aproveitar, ou desenvolver. A tentativa dela de criar um suspense com todos os momentos Demi Lovato você não sabe o que eu passei foi falha, a adaptação dos personagens a Terra foi falha, praticamente tudo foi falho. Uma das poucas partes em que Kass foi feliz foi nos flashbacks, ela soube inserir cada memória do passado no momento certo e correlacionar na história presente. Pena que não foi o suficiente para salvar o livro. Outra parte feliz foi com Glass, que conseguiu se “salvar” de ser enviada a Terra, o que eu penso que foi a forma da autora mostrar o que acontecia na Arca.

Enfim, The 100 – Os Escolhidos tinha tudo para ser uma das melhores leituras do ano, e acabou entrando no hall das piores. Foram muitas oportunidades de deixar a história mais crível jogadas fora, muitas incoerências que não posso citar porque seriam um baita spoiler, além das muitas pontas soltas que ela deixou para o próximo livro. Até concordo em deixar uma parte da história de fora para ser desenvolvida depois, mas a autora deixou praticamente tudo para depois.