17 de junho de 2014

[Resenha] Sedução Profana - Série Merry Gentry - Livro 01 - Laurell K. Hamilton

Essa resenha é recomendada para maiores de 18 anos - Contêm spoilers


Sinopse: Um universo mágico, com toques de folclore, erotismo e aventura, dá o tom de Sedução profana de Laurell K. Hamilton. Ambientada em um mundo onde seres humanos, fadas, duendes e outras criaturas encantadas convivem em relativa harmonia, a trama é narrada por Meredith Gentry, que trabalha como investigadora em uma agência de detetives especializada em casos sobrenaturais ou que envolvam algum tipo de feitiço. Mas a jovem guarda um segredo: sua verdadeira identidade é Meredith NicEssus, uma princesa ameaçada de morte que se escondeu em Los Angeles. Mesmo sendo uma encantada – criatura com poderes mágicos e características diferentes dos humanos, como pele e olhos brilhantes – Meredith é mortal. Parte fada da luz, parte fada da escuridão, ela foi criada entre pessoas comuns dos 6 aos 16 anos. Seu pai, o Príncipe Essus, a tirou da corte depois que ela quase morreu afogada pela tia, a Rainha do Ar e da Escuridão. Ao voltar para sua terra natal, uma década depois, a princesa percebeu que sua vida ainda corria perigo. Apesar de ter sangue nobre, Meredith não era respeitada como tal na Corte Profana e acabou vítima de uma série de atentados. Com medo de morrer durante alguma luta, ela preferiu fugir, ainda que isso significasse despertar a fúria de sua poderosa tia. Depois de três anos escondida em Los Angeles, Meredith parece estar com a vida estabilizada. Além de um emprego, ela tem amigos em quem pode confiar e um namorado. Sua mágica, incapaz de protegê-la dos ataques de outros encantados, é perfeita para deixá-la com aspecto humano. Mas um caso aceito pela agência de detetives faz com que ela seja obrigada a deixar o disfarce de lado e encarar uma nova realidade: retornar à Corte Profana e descobrir por que a tia exige sua presença. Aliados inesperados, inimigos à espreita e muitas surpresas aguardam Meredith em sua jornada. E a volta ao castelo da Rainha do Ar e da Escuridão é só o começo. Até a última página, os leitores são envolvidos em uma teia de mistério e intrigas, recheada com cenas de magia, batalhas violentas e uma boa dose de sexo. Conseguirá a princesa escapar com vida das armadilhas em seu caminho? Seu futuro é o trono ou a morte? Com uma narrativa ágil e detalhada, Sedução profana prende a atenção até o fim.

Minha opinião: Esse é o primeiro livro da série Merry Gentry, publicado pela editora Rocco. Quando iniciei a leitura da sinopse, acreditei que o livro se focava principalmente em uma trama policial com seres sobrenaturais. E não é bem isso que ocorre no livro. Sim, temos um "mistério policial" bem curtinho no início do livro, mas a trama baseia-se principalmente em sexo. Isso mesmo, você não leu errado. 
Merry é uma encantada, sobrinha da rainha, mas que por ser mortal, não era muito bem tratada na Corte profana. Por isso, há três anos atrás fugiu e se escondeu atrás do glamour para não ser reconhecida.

"Los Angeles é um lugar para onde as pessoas, as que têm asas e as que não têm, vêm quando querem se esconder. Para se esconder das outras pessoas e delas mesmas. Eu tinha vindo para isso, para me esconder, e consegui, mas, espiando aquele ar pesado e sujo, tive vontade de ir para casa. A minha casa, onde o ar e o céu eram azuis a maior parte do tempo, e onde não tinha de regar a terra para a grama crescer. Minha casa era Cahokia, Illinois, mas eu não podia voltar porque me matariam se fizessem isso, meus parentes e seus aliados. Todos querem ser uma princesa entre as fadas quando crescer. Mas podem acreditar. Estão supervalorizando". (p 09)

Merry é uma personagem com personalidade forte, valente e de bom coração. E por causa do seu bom coração é que acaba aceitando um caso junto com o seu chefe Jeremy (que é um habilidoso mágico) que acaba colocando em risco o seu disfarce. Duas mulheres aparecem na agência: Frances Norton e Naomi Phelps, e fica claro desde o início que estão enfeitiçadas. 

"Não posso ser humana, porque não sou humana. Mas não posso ser completamente encantada porque também não sou isso. Sou metade Corte Profana, mas não sou um deles. Sou parte Corte Abençoada, mas não pertenço ao povo que brilha. Sou parte fada da escuridão, parte da luz, no entanto, nenhum lado me aceita. Sempre vivi à margem, observando os de dentro, com o nariz achatado no vidro da janela, mas nunca me convidaram para entrar. Eu conhecia o isolamento e a solidão". (51)

Até essa parte do livro a leitura de certa forma é mais tranquila, mais lógica. Conforme o leitor é apresentado a Corte Profana e aos seus súditos, com características peculiares e descrições interessantes. O problema que eu tive com a obra é que de uma hora para outra, a trama foca-se quase que exclusivamente em sexo, perdendo o foco principal. Não que há diversas cenas explícitas, são mais insinuações e descrições, mas chegou um determinado momento em que não tinha uma trama de fundo para fundamentar determinada cena.

"Como já disse, passei meu despertar sexual na Corte Profana. Não me entenda mal. A Corte Profana tem suas formas próprias de atividades incomuns, mas aceita a visão predominante humana de dominação e submissão. A Corte Profana aceita muito melhor essas coisas, ou talvez apenas seja mais aberta para isso. Também pode ser porque a Rainha do Ar e da Escuridão, minha tia, a governadora geral da corte nesses últimos mil anos, um século a mais ou a menos, aprecie demais a dominação e viva na fronteira do sadismo sexual. Ela moldou a corte à sua imagem, assim como meu tio, o Rei da Luz e da Ilusão, da Corte Abençoada, moldou sua corte à imagem dele. O estranho é que se pode conspirar e mentir com maior facilidade na Corte Abençoada. Eles são adeptos da ilusão. Se tudo parece bom por fora, então deve ser bom mesmo. A Corte Profana é mais honesta, a maior parte do tempo". (p.28)

Na corte temos jogadas políticas e personagens dúbios que vão sendo desmascarados conforme avançamos na leitura.  Alguns personagens tem características bem interessantes como Roane Finn, Uther e Sholto.
O livro é ruim? Não, mas eu esperava mais dele, um maior desenvolvimento da trama, até mesmo porque é o primeiro livro da série e eu esperava uma apresentação mais desenvolvida.
Em relação a diagramação, revisão e layout, a editora fez um ótimo trabalho. Encontrei uns dois errinhos de digitação, mas nada que atrapalhasse a leitura. A capa não chamou a minha atenção, não achei nada de extraordinário nela.
Espero que tenham gostado da resenha.
Beijos
Carol


Editora: Rocco
ISBN: 9788532524447
Ano: 2009
Páginas: 496
Tradutor: Alyda Sauer
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Avaliação: 3/5