8 de julho de 2014

[Resenha] Diário de Uma Treinadora de Pais - Jenny Smith

Autor(a): Jenny Smith
Editora: Galera Record - Selo Galera Júnior
ISBN: 9788501099259
Páginas: 288
Tradutor: Maria P. de Lima
Ano: 2014
Avaliação: 4/5

Sinopse: Katie Sutton é uma treinadora de pais extraordinária. Após anos de experiência, está convencida de que domina a arte de entender e corretamente manejar o seu adulto – no caso, a sua mãe. Tão grandes os seus dotes, que decidiu escrever tudo em um manual, um diário disfarçado de livro de cálculos matemáticos avançados. Mas agora algumas situações inusitadas podem aparecer, e mudar os modos de operação de sua mãe para sempre. Tudo isso devido a um pequeno problema, que tem um péssimo senso de moda e é metido a ecologicamente correto. Depois de tantos anos órfã de pai, parece que as coisas podem dar uma guinada... que bom que Katie é expert em adultos!

Quando solicitei Diário de Uma Treinadora de Pais o que eu esperava encontrar era um YA bem leve, quase bobinho, sabe? Ledo engano, a história narrada em primeira pessoa por Katie, 13 anos, não é nem de longe rasa ou bobinha. O livro tem todos os elementos de narrativa jovem, porém a personagem principal me conquistou com sua doçura.

O propósito inicial da autora é de mostrar ao leitor, por meio de Katie, um manual de controle dos adultos, no caso os pais. Mas conforme a história vai avançando, é possível perceber que existe algo além disso. O que era para ser um manual de controle, como se os adultos fossem máquinas, se torna um diário pessoal de Katie, e com isso é fácil mergulhar nas páginas e se encantar com a história.

Eu geralmente tenho problemas com narrativas em primeira pessoa, pois fico com aquela sensação de que falta algo importante, um outro ponto de vista. Mas em Diário de Uma Treinadora de Pais, Jenny Smith soube utilizar bem a personagem principal, mesmo que em algumas partes Katie tenha me irritado.

Foi engraçado perceber que eu me identifiquei com a Katie, não na minha idade atual, mas pude me enxergar na menina de 13 anos que queria ter algum tipo de controle sobre seus pais. Minha história não é parecida com a da Katie, nem de longe, mas as atitudes que muitas vezes ela toma (na maioria equivocadas) me lembraram muito as minhas. E penso que isso foi o mais interessante da leitura. Eu também me identifiquei com a irmã mais velha de Katie, claro que em outra fase da minha vida. Essas correlações entre eu e os personagens foram o que mais me atraíram na leitura, não o manual em si.

Por outro lado, como eu havia dito antes, tenho problemas com narrativas em primeira pessoa. E esse problema se manifestou em uma parte do livro, eu esperava algo grandioso e na verdade era meio que só um drama “bobo” de Katie. Mas analisei depois e cheguei à conclusão de que pode parecer algo bobo para mim, aos 21 anos, mas para a Ananda de 13 anos, com certeza aquilo seria algo digno de um faniquito enorme, como muitas vezes foi.

No geral, Diário de Uma Treinadora de Pais atende ao que é proposto incialmente. Não espere grandes acontecimentos ou revelações. Eu encarei a leitura permitindo a saída dos meus “eus” mais novos e foi uma experiência muito boa. A leitura é bem fácil e a diagramação da Galera não deixou a desejar.