15 de setembro de 2014

[Resenha] A Extraordinária Garota Chamada Estrela - Jerry Spinelli

Autor(a): Jerry Spinelli
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582351444
Páginas: 192
Tradutor: Eric Novello
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: A garota chamada Estrela. Ela é tão mágica quanto o céu do deserto. É tão estranha quanto seu rato de estimação. É tão misteriosa quanto seu próprio nome. Com um simples sorriso, ela captura totalmente o coração de Leo Borlock. Com sua alegria, ela incendeia uma revolução de liberdade e autenticidade no espírito de sua escola. No começo, os colegas encantam-se com ela por tudo o que a faz ser diferente. Mas isso começa a mudar, e Leo, apaixonado e apreensivo, percebe que a única coisa que pode salvá-la das críticas é a mesma que pode destruí-la: ser alguém comum. Nesta celebração do inconformismo, o premiado Jerry Spinelli tece um conto tenso e emocional sobre os percalços de precisar ser popular e da emoção e inspiração do primeiro amor.

Estava na dúvida na escolha da próxima leitura e A Extraordinária Garota Chamada Estrela (por motivos de um título muito grande, vou abreviar quando citá-lo como: AEGCE) estava na lista. A Ly, do blog Brincando com Livros, me disse para escolhê-lo e que eu iria adorar. Não deu outra, Estrela me conquistou com seu jeito irreverente, suas atitudes fora do padrão, apenas por ser ela mesma.

A história é narrada por Leo, um garoto tímido e que logo se vê encantando pela garota misteriosa. Estrela sorri para todos, canta parabéns para o aniversariante com seu ukulele e arruma sua mesa como se estivesse em casa. Ela é fora do padrão e é isso que a torna extraordinária, até o momento em que passa a incomodar seus colegas.

Muitos adjetivos poderiam ser utilizados para descrever Estrela, mas optei por retirar dois trechos do livro:

“Ela era fugaz. Ela era hoje. Ela era amanhã. Ela era o aroma mais suave da flor de um cacto, a sombra fugidia de uma coruja marrom.”
“[...] Ela é uma de nós, mas de uma maneira mais radical. Ela é como nós, mais do que nós mesmos somos. Ela é, eu acho, quem nós realmente somos. Ou fomos.”

Um dos motivos que me fez amar instantaneamente foi o desprendimento de Estrela para com si mesma, é uma qualidade que eu gostaria de ter. Infelizmente sair dos padrões e fazer o possível para agradar a quem está ao seu redor ainda não é um patamar que eu alcancei. Mesmo sabendo que era ficcional, eu me peguei pensando na personagem principal como alguém real. E em como seria bom se ela existisse e conseguisse contagiar a todos com seu jeito pra lá de especial.

A todo o momento o livro me levou a questionamentos, alguns muito profundos como: “será que essa é realmente a escolha certa?”. Não apenas de escolhas que o enredo se constrói, as críticas à estrutura social nas escolas se encontra lá, afinal, é realmente tão importante ser popular? Acho que todos os adolescentes já passaram por essa fase, essa ânsia por ser notado, mesmo que muitas vezes queiram se fundir à parede e só sair de lá no final do ensino médio.E Estrela não escapa desse estereotipo, apesar de ser diferente, no fundo ela apenas quer se encaixar. O seu relacionamento com Leo prova isso, toda a forma em que ele se desenvolveu foi bela e, no final de tudo, ela conseguiu vencê-lo e conquista-lo, assim como fez comigo. 

AEGCE é um livro cheio de passagens especiais, além de ser muito quotável. O autor não precisou utilizar de artefatos fantasiosos para tornar a narrativa brilhante, pelo contrário, ela soa extremamente real. Penso que isso foi o que mais gerou uma identificação com a história. Ela conseguiu fazer com que eu me recordasse do meu passado, nem tão passado assim, dos meus medos e inseguranças.


É uma leitura mais do que indicada. Gosto de pensar que AEGCE é um tesouro encontrado, aquela ponta de esperança a que nos agarramos e cultivamos. Foi mais um dos casos de ser a história certa na hora certa. É incrível e me fez ter vontade de me tornar uma pessoa-estrela.