8 de outubro de 2014

[Resenha] Tatuagem - Marina Salla

Autor(a): Marina Salla
Editora: Novo Século - Selo Talentos da Literatura Brasileira
ISBN: 9788542801934
Páginas: 253
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 2/5

Sinopse: Jack se aproximou de Laura. Não, não para tirar sarro dela, nem dizer como ela é esquisita e feia, mas para defendê-la desse pesadelo. Ela sabia que sua vida estava mudada para sempre, mas não imaginou, em nenhum momento, que mudaria de novo. Uma festa, um beijo recebido pela pessoa errada, um acidente que permitiu que Laura revivesse a consciência apenas três meses depois, numa cidade diferente, e toda sua antiga vida havia sido deixada para trás. Como ela poderia imaginar? Apesar de todos os avisos, como ela podia pensar que algo assim fosse acontecer? Ele sempre fora tão atencioso, se esforçava para ser melhor com ela, não queria machucá-la por nada nesse mundo. E então... Jack, o que aconteceu com você? Deixar pessoas para trás, continuar em frente, é um aprendizado. Laura tentou seguir com a vida dela, Jack deveria ter feito o mesmo. 

Tatuagem é um daqueles livros que só pela sinopse você consegue imaginar uma gama de possibilidades. Eu esperava que a história acontecesse de uma forma e fui surpreendida. Porém, não foi uma surpresa totalmente positiva.

A história começa tratando do bullying que Laura, com 15 anos, sofre, mas mais importante que isso, deixa claro que a protagonista não aceita. Isso fica claro por conta da narrativa em primeira pessoa. Ela é uma pessoa bem introspectiva, um tanto rebelde (o que é normal para a idade dela) e sonhadora. Tudo muda com a chegada de Jack, um cara mais velho que surge para resgatá-la. Ele não é o cavaleiro da armadura branca, e deixa isso claro. Assim que ele apareceu no livro vários sinais de alerta piscaram: PERIGO para mim. Infelizmente, não foi assim para Laura. Um fato curioso que notei na personalidade de Jack foi a presença de algumas atitudes de Travis Maddox, de Belo Desastre. Não sei se foi intencional, mas não funcionou.

Por ser tão nova e não ter amigos eu acho que ela era muito ingênua. Sua única amiga era Miriam, que ela nem conhecia pessoalmente. O meu problema com a história começou aí. Sendo tão tímida e tudo mais era de se esperar que os pais fossem mais, digamos, cautelosos com ela, mas não é bem assim. Não fica claro se eles sabiam da existência de Miriam e se sabiam, não se preocupavam que a filha mais nova poderia estar passando informações confidenciais para qualquer um.

O romance entre Jack e Laura aconteceu de forma muito rápida, mais uma vez atacada pela ingenuidade ela se deixou levar. Ignorando os alertas dos amigos dele, ela mergulhou de cabeça no namoro. Uma coisa muito ruim no livro foi a falta de capítulos, ou até mesmo uma divisão temporal. Não ficou claro para mim quanto tempo de namoro os dois tinham quando Jack pediu aos pais dela para que viajassem juntos. E aí entra outro erro, sua filha mais nova está namorando um cara mais velho, é a primeira vez que você o vê e você já concorda em deixá-la viajar SOZINHA com ele??????????????? Sério, não.

Outro erro na história envolve a parte sexual do relacionamento dos dois. Ela, mocinha virgem e despreparada, em nenhum momento se preocupou em usar camisinha! Minha gente, além de correr o risco de uma gravidez ainda existiam as DST’s, porque ela não sabia absolutamente  nada sobre o passado dele. E justamente por não saber do passado que deveria existir um pé atrás, o que não ocorreu.

A única divisão do livro são as partes entre conhecer Jack, sofrer um acidente e o que aconteceu depois disso. Eu gostei mais da versão da Laura sem o Jack e em outra cidade, quando ela já estava se habituando. Mas ele tinha que retornar, né? E aí começa a terceira parte do livro, que foi, sinto dizer, pessimamente trabalhada.

Jack não seguiu em frente e isso foi um problema. Seu ciúme doentio, sua necessidade de se impor sobre Laura e tratá-la como propriedade sua. Foi muita loucura em poucas páginas, além de quase nenhuma explicação sobre isso. Aliás, até tem uma explicação bem no finalzinho, que não me desceu. Os terrores vividos por Laura nessa parte, se fosse no meu caso, eu não aguentaria. Mesmo com toda a situação, ela ainda se deixava levar. Talvez por não saber como agir, talvez por estar tão apegada a ele. De uma forma ou de outra foi bem doloroso ler sobre tudo aquilo e não poder fazer nada.

Cheguei ao fim do livro com um gosto amargo na boca. Havia tanto a se explorar, o bullying mal resolvido, a “doença” de Jack e tudo isso foi meio que jogado, sabe? O sentimento que ficou foi que a autora queria passar uma lição e mostrar o quão perigoso é confiar em alguém sem saber nada sobre ele. Mas não funcionou, ficou falso e o final estragou tudo. É triste, porque era história com um potencial enorme e, infelizmente, não rendeu tudo isso.