13 de novembro de 2014

[Resenha] Entre Outubros - Rebecca Dellape

Autor(a): Rebecca Dellape
Editora: Novo Século - Selo Talentos da Literatura Brasileira
ISBN: 9788542801071
Páginas: 448
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Após conseguir escapar heroicamente de um trágico sequestro em um dia de Outubro – nada menos do que seu décimo sexto aniversário – Holly Armstrong se depara com um mundo totalmente diferente. Seu olhar, sua mente e seus valores já não são mais os mesmos. Agora, é como se houvesse um abismo entre a garota comum da cidade grande e a jovem amaldiçoada pelo trauma. Contudo, tal ferida foi o pontapé para sua vida mudar drasticamente. Motivada pela sua personalidade curiosa e vítima de sua própria fragilidade emocional, Holly parte em uma jornada solitária para tentar descobrir os reais precedentes do evento que mudou sua vida definitivamente. A partir daí, ela se vê envolvida com personagens nada convencionais que a farão tomar rumos distintos, permitindo que ultrapasse seus limites e prove o real sentido de força. Porque, às vezes, é necessário muito mais do que força para sobreviver.

“Você não pode fugir do seu passado, muito menos de quem se tornou”.
Essa é a frase que ilustra a capa de Entre Outubros, romance de estreia de Rebecca Dellape. O livro apresenta Holly Armstrong, uma garota de 16 anos que conseguiu escapar de um sequestro. Um dos motivos que fez com que eu me interessasse pelo livro foi o mistério introduzido pela frase da capa, e pela sinopse.

A história começa muito bem, com a dose certa de suspense e ação, meio que um filme policial. Como a narrativa é em primeira pessoa, é possível se colocar no lugar da personagem e sentir toda a tensão. E eu fiquei: “UAU, esse livro promete”. Pois é, promete, mas infelizmente não cumpre a tudo que propôs.

Tudo o que acontece depois da fuga de Holly é muito dramatizado, mais pontas soltas sobre o motivo do sequestro aparecem e, gente, nenhuma é amarrada. Tem algo envolvendo a mãe de Holly que fica no ar e não é resolvido. A jornada de descobrimento da protagonista, prometida na sinopse, não acontece. E eu fiquei a ver navios.

Um ponto positivo foi a escrita da autora, mesmo para um romance de estreia ela é bem madura. Os diálogos soam convincentes, embora os personagens nem tanto. Além disso, alguns personagens que aparecem ao longo da história são muito bons, com potencial de ajeitar o livro. Agora, na parte negativa, além do mistério inicial, muitas outras coisas surgiram ao longo do livro. Isso criou um acumulo de pontas para serem atadas e na correria do final do livro isso não aconteceu.

Confesso que não gostei muito da Holly, ela tenta passar a imagem de pessoa forte que escapou de um sequestro, mas achei a personagem muito ligada no drama. Além disso, eu penso que qualquer pessoa que tenha passado por algo parecido não iria confiar de cara em alguém, mas não é isso que acontece. O excesso de conflitos escolares também atrapalhou um pouco, obviamente eles deveriam existir, já que ela ainda é uma estudante, mas meio que houve uma inversão de planos e a busca de Holly foi para o fundo.

O fim do livro chegou e com ele o sentimento de Dom Casmurro. Não teve final, simplesmente acabou, como quando você está vendo um filme na TV, faltam 10 minutos para o fim e a luz acaba. A sensação foi essa, fiquei frustrada e sem saber o que pensar, muito menos o que sentir. Não teve resolução, a ação de início morreu e foi isso. Poderia ser um livro excelente, mas o excesso de coisas cortou isso. Não sei se terá uma continuação, mas espero que tenha, para resolver o que ficou para trás.