20 de março de 2015

[Órfãos de Séries] Glee



Comecei a assistir Glee em 2009, mas não desde o início da série. Eu estava no meu segundo ano do Ensino Médio e sempre via a propaganda da FOX onde Finn aparecia cantando o mashup de It’s My Life e Confessions. Mas eu não tinha o canal e estava de castigo da internet, isso mesmo, então não tinha como ver sobre o que era. Por sorte, um amigo que assistia me passou algumas das músicas e todos os episódios lançados. Foi onde viajei para Ohio, estudei no McKinley High School e fiz parte do Glee Club, mais conhecido como New Directions.

Já faz quase seis anos que isso aconteceu. Apesar dos inúmeros erros e do quanto reclamei, é impossível não ficar nostálgica ao pensar que esse ciclo chegou ao fim. Por conta de Glee, eu aprendi que o que realmente importa é ser quem você é. Eu me formei duas vezes, pois querendo ou não, a série faz parte de quem eu sou. Eu me encontrei naqueles personagens, na sua personalidade complicada e nos seus sonhos.

A série passou por tempos difíceis, por muitas vezes eu quis abandonar (na verdade, parei de assistir à quinta temporada após o 5x03, só voltei para maratonar e acompanhar a sexta e última). Em muitos episódios eu questionei onde estava à verdadeira essência da série, era uma chuva de novos personagens que não me cativavam, que me faziam pensar que o Glee Club estava, de fato, morto.

A sexta temporada funcionou como um lembrete de que a genialidade de Ryan Murphy não morreu. Que ele ainda sabe como produzir um show, como conduzir um roteiro e como esmagar meu coração. Foram episódios que me fizeram chorar, do início ao fim. A série conseguiu sua redenção, pelo menos comigo, e quando eu olhar para trás vou saber que não foi em vão.

Eu aprendi e cresci com esses personagens, eu vivi seus dramas, eu chorei e sofri cada término como se fosse o meu. Vibrei com cada conquista, cantei a plenos pulmões como se fosse eu junto com eles no palco. Sei que por muitas vezes disse que a série estava uma merda, mas Glee é aquilo que eu amo odiar e odeio amar. Na mesma proporção.

Glee foi um discurso de amor, de auto aceitação. Por muitos anos foi o que me ajudou a superar os dias ruins e saber que as coisas mudam. Fez com que eu me sentisse parte de algo especial, afinal: ser parte de algo especial, te torna especial, certo? Eu não tenho palavras para descrever o sentimento, tem um buraco no meu peito e acredito que nenhuma outra série conseguirá tampá-lo.
É com um sentimento agridoce que me despeço de todos esses protagonistas. Fico triste porque não terei mais um episódio para surtar, chorar ou reclamar (porque eu faço muito isso). Mas fico feliz porque sei que posso tê-los novamente na hora em que eu desejar. Basta abrir o Netflix. Brincadeiras à parte, o que resta é o agradecimento ao ND e, principalmente, a Will Schuester, por não deixarem de acreditar.