9 de março de 2015

[Resenha] As Confissões das Irmãs Sullivan - Natalie Standiford

Autor(a): Natalie Standiford
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501400024
Páginas: 348
Tradutor: Priscila Catão
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 3,5/5

Sinopse: A avó das irmãs Sullivan reúne a família para anunciar que em breve morrerá. E, possivelmente pior, que removeu toda a família de seu testamento. Como ela é a fonte de quase toda a renda familiar, isso significa que ficarão sem um tostão. Ela foi ofendida por alguém da família, mas diz que, se o ofensor se revelar com uma confissão do seu crime enviada para seu advogado, ela pode recolocar a família no testamento. Agora, nenhum segredo é grande ou demais para as irmãs Sullivan. E que comecem as confissões.

Comecei a leitura com receio, pois já havia visto duas opiniões negativas sobre a história. Mesmo assim, segui em frente e o que eu posso dizer é que este é o livro mais louco que já li na vida. O plot é completamente nonsense, isso fica óbvio desde o início com os apelidos designados, como a avó da família (Poderosa) e o pai (Paizão). Em alguns (muitos) momentos eu me senti num baile funk, porque até o cachorro da poderosa leva um nome um tanto quanto excêntrico: Buffalo Bill.

Na narrativa somos apresentados à família Sullivan. Em um certo Natal, Poderosa diz que alguém da família a ofendeu seriamente e isso faz com que ela tire todos do seu testamento. Acostumados com o luxo, todos se desesperam e chegam à conclusão de que uma das irmãs que é a culpada. ALÔ, MACHISMO! Não vou mentir e dizer que isso fez todo o sentido do mundo. Eram ao todo oito pessoas que poderiam tê-la insultado, então por que presumir que foi uma mulher?

O livro é dividido em três partes, cada uma contém uma confissão de uma das meninas: Norrie, Jane e Sassy, respectivamente. A confissão da primeira é bem articulada, romantizada e, às vezes, um pouco óbvia. Grande parte soa como um clichê e o sentimento de “já li isso antes” imperou durante este segmento. O meu maior problema foi a finalização, pareceu que ficou em aberto e eu queria saber o que aconteceu depois.

Jane, sem dúvida, foi minha personagem favorita. Suas revelações foram hilariantes, além da forma como foram feitas. Ela tem a personalidade forte e rebelde, quer ir contra o sistema de qualquer maneira (mesmo que isso ferre com a vida dela). Mas no fundo tudo o que ela queria era receber um pouco mais de atenção. Aliás, os pais da família são muito ausentes, gente do céu! Nunca vi uma família tão negligente e que não faz ideia do que esteja acontecendo com seus filhos.

Por fim, a confissão de Sassy foi a mais méh (e sem pé nem cabeça também). Ela é a mais nova das irmãs, toda inocente. E ela sente essa necessidade de ajudar o mundo, fazer diferença, mesmo que não sabia muito bem como. A única coisa boa na sua parte foram as cenas completamente malucas que ela cria, ou os cenários em que ela se mete.

Uma coisa interessante do livro é como Natalie conseguiu transmitir a personalidade de cada uma das meninas. A narrativa nas três partes é em primeira pessoa, acredito que isso fez diferença. Eu já tinha tido contato com a escrita da autora em Como Dizer Adeus Em Robô, mas enquanto lá o drama prevalecia, em As Confissões das Irmãs Sullivan é o humor, às vezes pastelão, que figura.

A confissão que selou o destino da família é hilária, e eu não acreditava que estava lendo aquilo mesmo. Eu entendo o motivo de muitos terem odiado o livro, mas eu gostei por ele cumprir o que promete: entreter. Não é uma história que irá agradar a todos, praticamente impossível isso, mas para quem gosta de algo por vezes chulo, este é um pedido certo.