17 de julho de 2015

[Resenha] Melhor Que Chocolate - Laura Florand

Autor(a): Laura Florand
Editora: Única
ISBN: 9788567028552
Páginas: 288
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Amor. Chocolate. Paris. Que atire a primeira pedra quem não gostaria de ter essas três coisas misturadas em meio a uma aventura inesquecível. Pois é mais fácil do que parece, basta abrir este delicioso (sem exageros) romance de Laura Florand. Cade Corey é uma jovem executiva que cuida do negócio bilionário de chocolate da família, uma empresa popular nos Estados Unidos. Ela sonha em construir uma linha premium de seus produtos, e, como boa conhecedora do seu negócio, sabe que encontrará o chocolate perfeito em Paris. Na verdade, o chocolate perfeito está, mais especificamente, nas mãos igualmente perfeitas de Sylvain Marquis, o melhor chocolatier da cidade. O problema é que Sylvain se recusa a associar sua arte a uma grande empresa que só pensa em destruir sua técnica para reproduzi-la em grande escala. Isso para ele é um insulto, e não uma proposta! Contudo, embora o francês jure que está em paz para tocar a vida, aquela americana teimosa não lhe sai da cabeça. E Cade sente o mesmo: adoraria simplesmente fechar negócio com outro especialista parisiense, entretanto, não consegue esquecer os olhos cortantes de Sylvain e sua personalidade arrogante, porém tão viciante quanto seus doces. Paris está prestes a ficar pequena para o que existe entre eles. Pegue uma boa xícara de café e saboreie tudo aquilo que é melhor que chocolate. Você não vai se arrepender!

Conheço muitas pessoas que não suportam chocolate, não sei o que elas tem de errado, mas felizmente não faço parte dessa parcela. Brincadeiras à parte, Melhor Que Chocolate vende a ideia de um amor parisiense com doses (às vezes amargas) de chocolate e sedução. Pela sinopse parecia ser uma leitura instigante, daquelas que eu não conseguiria largar, mas não foi bem assim.

Cade segue a linha estereotipada da executiva bem sucedida, porém sem amor. Assim como Sylvain. A diferença é que enquanto ela não está satisfeita, ele está muito bem, obrigada. Dizem que os opostos se atraem, mas nesse caso nunca vi duas pessoas com personalidades tão parecidas. Ambos são arrogantes e ambiciosos, porém defendem seus ideais com paixão. Obviamente uma relação assim soltaria fagulhas por todos os lados e salve-se quem puder.

A construção do romance entre os dois, em minha humilde opinião, não foi feita de forma suave. Não foi algo que desse a entender que existia amor, além de apenas desejo carnal. Cade e Sylvain não foram um casal que me fizesse torcer e vibrar, nem algo perto do real. Em algumas partes parecia apenas curiosidade passageira, que acabaria assim que os dois conseguissem o que queriam.

Não se engane achando que vai encontrar um romance água-com-açúcar estilo Sessão da Tarde, o enredo construído por Laura está mais para o lado erótico. Rolou algo como: chocolate + tesão = sexo, o que não é bem verdade. Não penso que todos que comem chocolate de repente ficam cheios de hormônios e precisam extravasar isso levando alguém para a cama. Talvez a autora tenha tentado desconstruir a ideia do doce como algo romântico, tornando-o objetivo de desejo sexual. Para mim isso não funcionou.

Um dos meus maiores problemas foi a falta de profundidade na personalidade dos personagens. Sim, é possível notar que Cade tem a necessidade de ter alguém para cuidar dela. Mas além disso, todas as suas atitudes e falas beiram o superficial. Eu gosto de histórias onde consiga notar um quê de realidade e essa passou longe disso. Poderia ter falado mais sobre o passado de Sylvain e tudo o que o levou a ser tão fechado, porém isso também foi mal explorado. Em alguns momentos parecia que a autora havia perdido o fio da meada e resolveu enfiar umas cenas de sexo para preencher buracos.

Posso ser uma exceção neste caso, mas para mim não funcionou mesmo. Óbvio que muita gente vai adorar o livro, mas acredito que este simplesmente não seja o estilo de leitura que se encaixe comigo. Faltou muito para que ele se tornasse favorito ou que criasse uma raiz para continuar lendo a série. Felizmente, a história termina de forma bem redondinhas sem pontas soltas, deixando o segundo volume com outra narrativa, porém (e falo isso de achismo mesmo) com o mesmo foco.