21 de agosto de 2015

[Resenha] Eu Estive Aqui - Gayle Forman

Autor(a): Gayle Forman
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414233
Páginas: 240
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal?
A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos.
Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida.
Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.

Comecei Eu Estive Aqui com o pensamento de que ia chorar até desmoronar, visto que já tinha tido contato com a escrita da autora e já sabia da sua tendência a despedaçar meu coração. Porém, não foi isso que aconteceu. De forma tocante, Gayle conseguiu me conectar com a sua história e mostrar que existe vida após uma perda.

Assim que iniciei a leitura, não consegui desgrudar do livro até chegar ao fim. A narrativa da autora tem essa característica que prende o leitor e fluiu incrivelmente bem. O enredo avança conforme Cody descobre a "outra" vida de Meg. A profundidade intrínseca em cada linha é muito bem dosada, mesmo para um livro com uma temática voltada para o drama.

Muitas partes deram um nó na minha garganta, já outras me deixaram com muita raiva de Meg. Todo mundo tem a sua forma de superação e a de Cody é saber exatamente o que acontecia com a amiga. As descobertas que ela faz são assustadoras, outras porém mostram um lado de Meg que ninguém conhecia.

A desconstrução que a autora faz no quesito amizade é incrível. Mostra que mesmo quando pensamos saber tudo sobre alguém, sempre existe uma parte que não é mostrada. Outro ponto muito bem trabalhado no livro é o de saber perdoar, apesar de ser difícil. A protagonista enfrenta um verdadeiro impasse, pois ser avisada por e-mail de que sua melhor amiga cometeu suicídio não é algo aceitável. É difícil e doloroso enfrentar a perda, ainda mais sabendo que esta foi causada de propósito, mas a autora conduz o enredo com maestria, mostrando que existem fatores acima de nós e que não é possível abraçar o mundo.

O envolvimento de Cody e Ben começa de forma conturbada, entretanto o apoio que os dois encontram um no outro é incrível. Não foi uma relação forçada e muito menos feita de forma clichê. Ele chega num ponto da história em que a protagonista precisa de alguém que esteja lá, seja para ouvir, seja para brigar (porque isso acontece e muito).

A autora trabalha de forma sutil a questão de suicídio, porém mostra a importância de reconhecer os sinais, mesmo que eles estejam ocultos. Muitos podem culpar os pais de Meg, mas não é isso que é passado no livro. A distância tanto física quanto emocional destas partes colaborou para a decisão, mas não foi o principal. É uma bela lição para quem ainda insiste em dizer que depressão não é doença e sim frescura.

Terminei o livro com os olhos marejados e extremamente grata pela bela história. Gayle mais uma vez conseguiu criar um ambiente profundo, com personagens reais e trazendo pequenos detalhes que fazem toda a diferença.