3 de setembro de 2015

[Resenha] Paperboy - Pete Dexter

Autor(a): Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632186
Páginas: 333
Ano: 2013
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James.
As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.
Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.
Resenha por: Acácio Raphael Donatello Michelangelo

Não é o livro que seja ruim. É a sinopse que promete outra coisa, e no fim ficamos mais com uma história que poderia ter sido.

O livro é todo contado em primeira pessoa justamente pelo último personagem que a sinopse apresenta, Jack, o irmão de um dos repórteres. Ele começa um pouco confuso, quando o garoto ainda está fazendo uma regressão no tempo para contar a história e isso não fica muito claro. Só então aparece a tal Charlotte trazendo a trama toda em duas caixas.

Charlotte é uma personagem intrigante. O livro é todo sobre personagens bem construídos, mas Charlotte vai na contramão. É possível ver que ela tem mais a oferecer, e os ganchos estão lá. Ela se corresponde com criminosos, decidindo se casar com um deles inclusive. É uma personagem vaidosa, cheia de necessidade de atenção. Mas no desenrolar da história, ela fica pra trás, não é explorada. Pete deixa de lado um personagem com grande potencial. No fim, ela só é usada para criar o enredo.

Surgem então os repórteres, Yardley e Ward. Ward, por ser irmão do protagonista, é mais explorado, mas ainda sim vemos profundidade em Yardley e na relação entre eles. Aqui, novamente, o autor podia ter ido além. Yardley é descrito como ambicioso, e ele poderia ter sido levado aos limites da ambição, mas não foi. Já Ward é realmente bem obsessivo, a ser lembrado durante toda a história. Só não tem muito de ingênuo.

Paperboy não é um romance investigativo, onde os repórteres Yardley e Ward se envolvem em pistas e mistérios cada vez mais confusos para descobrir uma verdade inesperada. Pelo contrário, a investigação corre bem fácil, apesar dos esforços de relatar os repórteres atolados de papel e documentos. Outro personagem com pouco insignificância é o tal do Hillary, o bandidão que faz muito pouco.

Apesar de perder ganchos maravilhosos, o livro descreve com propriedade a complexidade humana, tornando-o o romance gótico de referência que ele é. Além dos sentimentos confusos que Jack e Ward possuem, ele ainda explora maravilhosamente a relação dos meninos com o pai.

O livro é bom, e me diverti com os personagens. Mas ao criar um enredo maravilhoso que não se desenvolve, Pete Dexter deixa um gosto de oportunidade desperdiçada no final. Não se pode culpá-lo. Não existem homens íntegros.