5 de outubro de 2015

[Resenha] Escola de Vilões - Jen Calonita

Autor(a): Jen Calonita
Editora: Única Editora
ISBN: 9788567028743
Páginas: 192
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Será que um vilão pode se recuperar? Gilly não se considera exatamente uma garota má... Porém, quando se tem cinco irmãos e irmãs mais novos, é preciso ser criativo para ajudar nas despesas. Ela é uma ladra muito boa, e disso tem certeza e pode se gabar. Até ser pega. Depois de roubar uma presilha, é sentenciada a passar três meses no Reformatório de Contos de Fadas – no qual os professores são aqueles antigos vilões que já conhecemos, como o grande Lobo Mau e a malvada Madrasta da Cinderela. Quando, porém, ela faz amizade com alguns estudantes, como Jax e Kayla, aprende que esse reformatório vai muito além de sua missão heroica. Há uma batalha ganhando forma e Gilly precisa descobrir: os vilões podem realmente mudar? Descubra o Lado B dos contos de fadas.

Eu sou apaixonada por contos de fadas e releituras. Ao mesmo tempo em que tenho uma curiosidade enorme sobre o outro lado da moeda nesses contos. Um bom exemplo é a série Once Upon a Time, que desconstrói todo o conceito de bom e mau nessas histórias. Por esses motivos que fiquei interessada em Escola de Vilões.

Gilly não é uma vilã, mesmo com seu caráter duvidoso. Por conta da condição financeira de sua família, ela pratica pequenos furtos, mas apenas dos nobres. O que achei um ponto muito bom no livro foi essa linha entre seguir o caminho do bem e não conseguir sustentar sua família, ou tirar de quem muito tem, bem no estilo Robin Hood.

Um ponto fraco do livro foi a ambientalização, não fica fácil visualizar os personagens nem o RCF. Além disso, todo o plot da batalha vai sendo construído e criando uma expectativa de algo grandioso, porém não foi bem assim.

Acredito que faltou mostrar mais da rotina de Gilly antes do RCF, as características da personagem se resumem apenas a roubar e preservar seus familiares. Falando neles, sua participação foi mínima e não fez diferença para a história. Faltou um pouco de drama, que desse um ímpeto maior para a personagem mostrar que queria mudar.

Algumas cenas do livro foram arrastadas e outras muito corridas, fazendo com que ele oscilasse entre a fluidez e o tédio, o que não considero algo bom. A construção dos personagens é boa, no entanto achei que faltou a exploração de personagens secundários e de um apelo maior para toda a transformação dos vilões.

Outro ponto interessante é que a trama foge ao óbvio. A diretora do RCF é a Madrasta da Cinderela, o que já nos leva a pensar em alguém carrasco e que vai fazer com que todos os alunos limpem o castelo. E não é bem assim, a autora conduz a narrativa de forma que te leve a pensar que o personagem X não mudou sua personalidade e que vai dar uma rasteira em Gilly. Existe um personagem no livro que me pegou de surpresa, pois eu não esperava mesmo que ele agisse daquela forma. Mas só lendo que vocês irão descobrir.

Mesmo com todas essas críticas, o enredo cumpre ao que promete. Existe ação, mesmo que moderada. Existe aventura e atiça a curiosidade do leitor. Por ser o primeiro livro, deixa algumas pontas soltas necessárias para uma continuação. O que faltou, na minha opinião, foi um aprofundamento no Lado B dos contos já muto conhecidos.

A diagramação estava muito boa, porém no quesito revisão, algumas partes ficaram um tanto quanto estranhas. É notado no início que a narrativa é em primeira pessoa, mas existem umas transições em que o narrador é observador. Não sei se foi algum erro de tradução ou se no original também é assim, mas fica a dica para a editora em uma correção futura.