20 de outubro de 2015

[Resenha] No Início Não Havia Bob - Meg Rosoff

Autor(a): Meg Rosoff
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501401410
Páginas: 240
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: E se Deus fosse um adolescente? Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?

Confesso que fiquei muito em dúvida entre solicitar ou não este livro. Em parte por conta do primeiro contato que tive com a escrita da autora não ter sido positivo, em parte porque não sabia como me portar com relação à história em si. Felizmente, a primeira impressão que tive da autora não se manteve e está foi uma leitura muito proveitosa.

Tive que me despir das minhas crenças, caso contrário eu ia considerar toda a ficção uma terrível blasfêmia. De forma sarcástica e um tanto filosófica, Meg nos apresenta a Deus, ou Bob, um adolescente preguiçoso e arrogante, um tanto tarado, e que não se preocupada com absolutamente nada além de si mesmo.

Logo de início é possível notar a forte crítica que a narrativa tem com relação às religiões, ou melhor dizendo, as pessoas dentro dessas religiões. De modo geral, a autora critica a postura dos humanos, o seu egocentrismo e atitudes ruins, tudo isso correlacionando a Bob, que os criou à sua imagem e semelhança.

A busca de Bob por sua paixão terrestre, na forma de Lucy, mostra como nos deixamos levar por paixões e esquecemos de todo o resto. Ao passo de que apresenta a ingenuidade e a plena confiança em alguém, como ocorre com Lucy. Eu demorei um tempo para me afeiçoar a ela, pois me parecia uma daquelas personagens que tá tudo ótimo sempre, faça chuva ou sol, ela vai continuar sorridente. Felizmente, conforme a trama foi avançando, a autora mostrou a evolução da personagem.

Um dos personagens secundários mais importantes, porém não tão explorados foi o Sr. B. Faltou destaque para o braço direito de Deus, faltou mostrar a sua importância e, acima de tudo, em como ele se esforçava pra consertar as cagadas de Bob. Durante toda a leitura isso me incomodou, mas gostei da forma como a autora concluiu sua parte na história.

Mesmo tendo gostado da narrativa, esse livro não tem potencial para entrar nos favoritos. Ele conseguiu tirar minha má impressão da escrita de Meg, mas em algumas partes a trama foi arrastada e em outras, corrida. Isso fez com que eu não conseguisse criar uma conexão forte com o livro. Acredito que nem todos irão compreender a história e irão gostar dela. É um livro que eu indico, porém vá avisado para não levar a sério o que está escrito, caso contrário, você irá querer queimá-lo.