12 de fevereiro de 2016

[Resenha] O que há de estranho em mim - Gayle Forman

Autor(a): Gayle Forman
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414806
Páginas: 224
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.
Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

Já li boa parte dos livros da Gayle que já foram lançados aqui no Brasil e, fora uma pequena exceção, todos me agradaram muito. Por este motivo que solicitei O que há de estranho em mim sem nem ler a sinopse. Mais uma vez fui surpreendida pela escrita maravilhosa da autora e posso afirmar, com o perdão da expressão, que Gayle Forman é foda.

Narrado em primeira pessoa, o livro trabalha muito com o psicológico do leitor, o que fez com que eu me sentisse dentro das páginas. A autora dedicou o livro às garotas desajustadas, mas quem seriam estas? A boa moça, rica e meio mimada, que se apaixonou e foi pega fazendo sexo? A menina confusa sobre sua orientação, mas que foi internada por conta dos preconceitos dos pais? Ou será que foi a menina de espírito livre e que foi jogada dentro da Red Rock por conta do que aconteceu com sua mãe?

O enredo vai sendo construído de forma lenta, porém fluida, que realmente prende a atenção. Muitas cenas são crueldade pura da instituição, e me doeu ficar lendo sem poder fazer nada. O pior é saber que pelo mundo afora estes lugares existem, mas muitas vezes nós desconhecemos o que acontece por trás dos muros (ou ignoramos) e isso me deu um sentimento de impotência enorme.

A história do livro mescla tristeza e alegria, a partir do ponto em que Brit conhece as meninas e forma uma irmandade, um tanto transviada, com elas. Foram tantas coisas acontecendo no livro que em certo ponto eu precisei parar para respirar e continuar a leitura, tamanha foi minha identificação com as meninas.

Gayle deixa a lição de que muitas garotas são classificadas pela sociedade como desajustadas simplesmente por não se encaixarem nos padrões. E ela mostra durante a trama que quebrar estes pré-conceitos só depende de nós mesmos. A união entre as meninas é o que fortalece, além de uma boa dose de girl power, que mostra que querendo de verdade fazer a diferença, é possível.

O que há de estranho em mim apresenta uma narrativa forte e sincera, além de madura. Poderia ser só mais um livro sobre reviravoltas e autoconhecimento, porém a autora o transformou em mais do que isso. É uma história sobre amizade, mas também é sobre perdão, e como é difícil perdoar quando nos sentimos traídos. É um livro que eu recomendo sem sombra de dúvidas.