6 de junho de 2016

[Resenha] DUFF - Kody Keplinger

Autor(a): Kody Keplinger
Editora: Globo Alt
ISBN: 9788525060631
Páginas: 328
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 4/5 + ♥

Sinopse: Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela (ou ela acha). Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush - o cara bonito, rico e popular da escola - que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele. Enquanto o mundo ao seu redor começa a desmoronar, Bianca descobre, aterrorizada, que está se apaixonando pelo garoto que ela odiava mais do que tudo.

Meu primeiro contato com esse livro foi por meio da resenha que a Jo fez no blog dela. Fiquei louca/desesperada/correndo-em-círculos para ler, mas a preguiça falta de oportunidade adiou. Daí eu vi o filme e a ansiedade voltou e eu finalmente consegui embarcar nessa história. E foi maravilhoso.

Por ser narrado em primeira pessoa, logo de cara é possível se encantar com Bianca. Ela é bem madura para a idade, com um pensamento crítico e um p*ta sarcasmo. Às vezes parece que ela utiliza isso como um escudo, mas não é ruim. As observações que ela faz não só das amigas, mas dos adolescentes em geral, são excelentes.

Do outro lado temos Wesley Safadão Rush. Sabe o cara popular do ensino médio que praticamente todo mundo corre atrás? É ele. Com um ego enorme, uma confiança inquebrável e o jeito 99% anjo, perfeito, mas aquele 1% é vagabundo, ele chega e joga na cara de Bianca a verdade que nem ela sabia. Ela é uma DUFF, termo em inglês que basicamente significa a amiga feia e gorda. Não que Bianca seja feia ou gorda, mas ela é "inferior" às amigas. Ela não é loira, não é magra e não tem peitão. Só por isso ela se enquadra na definição.

A trama se desenvolve a partir deste ponto. A fluidez da narrativa é enorme e o livro não fica cansativo. Assim como o romance entre Bianca e Wesley, que começa de forma nada convencional, mas acredito que vocês já perceberam que DUFF foge a isso, né? Como pano de fundo, ainda existem outros problemas apresentados no livro, mas tudo com uma leveza que não faz o clima ficar pesadão.

A jornada de auto-aceitação de Bianca e o amadurecimento de Wesley são um dos melhores pontos do livro. Essa quebra de padrões que ele traz, os questionamentos, tudo isso faz dele um YA A+, algo bem diferente dos romances high school que estou acostumada. E foi esse motivo que quase me fez virar a noite lendo.

Eu não estava familiarizada com o termo DUFF até esse livro, nunca tinha ouvido falar. Mas durante a leitura pude perceber que, mesmo sem a definição, elas existem. Eu fui uma, você pode ter sido uma também. O incrível da narrativa é que mostra que isso não é algo para se fazer uma tempestade em copo d'água e sim que isso não importa, na verdade. É claro que existem muitos clichês na história, mas boa parte deles é quebrada de forma que seja possível fazer uma análise crítica.

Não comece DUFF esperando mais um romance no estilo "entre tapas e beijos" ou "a estranha com o popular". O livro é mais que isso. E eu me arrependo de ter adiado a leitura, mas é aquele ditado, né.

Outra coisa: se você viu o filme, não pense que o livro é igual. Tirando os nomes dos personagens, absolutamente nada é igual. Ambos são muito bons, porém não posso chamar o filme de adaptação, porque passou beeeeem longe.