16 de agosto de 2016

[Resenha] O amor nos tempos de #likes

Autor(a): Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501075581
Páginas: 272
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 4/5

Sinopse: Os tempos mudaram, mas e o amor? Continua a dar aquele frio na barriga e fazer os jovens atravessarem quilômetros para viver uma paixão? Em "O Amor nos Tempos de #Likes", quatro booktubers se inspiram em três histórias da literatura para criar suas versões de contos românticos na era digital. Uma bela, jovem e famosa youtuber com medo do amor; um casal inesperado em um encontro às escuras (literalmente) e dois meninos apaixonados por livros tentando entender quem são e o que querem são os protagonistas destes contos que evocam "Orgulho e Preconceito" (Pam Gonçalves), "Dom Casmurro" (Bel Rodrigues) e "Romeu e Julieta" (Pedrugo).

Confesso que foi com um pé atrás que comecei a leitura deste livro, não sei bem o motivo, mas não estava muito animada. Porém, em meio a uma ressaca literária, ele foi minha salvação. Vou falar brevemente, ou tentar, dos três contos presentes;

Próximo destino: Amor - Pam Gonçalves

Inspirada em Elizabeth Bennet, a personagem de Pam traz muitas características da sua xará. O conto é narrado em primeira pessoa e eu gostei muito da personalidade da personagem. Mesmo sendo curtinho, é possível notar uma mudança sutil nas atitudes que Liz toma e isso foi muito bom.

Vivendo uma vida apressada, a protagonista se fechou para novos relacionamentos, provavelmente uma forma de se proteger. A ironia da história é quando ela deve fazer um vídeo para seu canal sobre o amor, algo que nem ela mesma conhecia direito.

Pam trabalhou muito bem no emocional da protagonista. Todos os conflitos internos dela foram muito bem desenvolvidos e foi incrível notar a mudança em Liz.

O conto traz tudo na medida certa, porém no final me deixou com uma sensação de que havia mais história a ser explorada. Porém, dentre tudo que foi apresentado no início, o desfecho foi muito bom.

(Re)começos - Bel Rodrigues

Esse foi meu conto favorito do livro. Maria Eduarda, ou Madu, foi inspirada na Capitu de Dom Casmurro. Porém aqui não fica a dúvida se ela traiu ou não Bentinho. O conto em narrado em terceira pessoa e eu gostei muito da visão do narrador, pois possibilitou analisar todos os pontos da história.

Bel trabalhou um ponto muito importante no seu enredo de forma excelente: relacionamentos abusivos. Madu viveu em um, e ainda sofria com as marcas que ele deixou nela. Quando digo "marcas" não me refiro a agressões físicas, pois nesse caso foi o trauma psicológico que o ex deixou nela. E às vezes esse tipo de mágoa, de alguém em que se confiava, é muito pior.

A narrativa se passa, na maior parte, em Búzios, porém senti falta de uma ambientalização maior. A protagonista estava super animada pela viagem, mas pouco foi mostrado do local.

Eu gostei muito em como a Bel trabalhou a parte de reconstrução pessoal, de tomar as rédeas da vida novamente e erguer a cabeça. Madu é uma personagem extremamente forte e foi exatamente o que eu esperava.

337 km - Hugo Francioni e Pedro Pereira (Pedrugo)

De forma sensível e incrivelmente bela, os meninos trouxeram toda uma nova visão ao famoso conto de Shakespeare. Não existem famílias rivais, porém a grande vilã da trama é a distância entre Ramon e Júlio. Os dois se conhecem pela internet, Júlio quer ser escritor, Ramon é um fã. O que começa como amizade, rapidamente evolui para romance, mas nada no estilo miojo, sabe?

Esse é um dos contos mais trabalhados em torno das redes sociais e eu acredito que Hugo e Pedro o fizeram de forma muito boa. A internet serviu de auxílio para que os personagens se conhecessem melhor e não foi mostrada de forma negativa.

Não pense que por se basear num drama, o conto é só dor e sofrimento. Muito pelo contrário, a narrativa mostra como é possível superar barreiras que parecem ser impossíveis de passar. Serve como inspiração para quem pensa que conhecer alguém pela internet envolve só perigo.

E é impossível não se encantar pelos protagonistas. Todo o esforço de Ramon e a garra de Júlio foram muito bem descritos. O que só me fez torcer mais e mais pelo casal.


Dito isso, fica aí a lição: mesmo com o pé atrás, se joga na leitura. Se eu tivesse continuado naquele vai-não-vai, ia acabar perdendo três contos muito bons!