1 de agosto de 2016

[Resenha] Silêncio - Richelle Mead

Autor(a): Richelle Mead
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501107381
Páginas: 280
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis.
O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas.
Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará
suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Conheci a escrita da Richelle com o spin-off de Academia dos Vampiros, Bloodlines, e fiquei muito empolgada com a escrita da autora. Ainda não cheguei a terminar a série, mas quando vi Silêncio na lista da Galera fiquei curiosa pela história, e também porque essa é uma das poucas capas da autora que eu gostei (sim, julgo pela capa mesmo).

Comecei a leitura com uma expectativa de leve, que não foi de tudo suprida. O ritmo dos acontecimentos, assim como o marasmo do início, não conseguiu prender minha atenção, motivo pelo qual demorei muito para concluir a leitura. O livro é muito descritivo, e isso não é de todo ruim, pois dá uma ambientada bem boa para a narrativa, porém a meu ver algumas partes foram excessivas, o que dificultou a fluidez da trama.

Eu gostei muito de como a autora trabalhou a questão da surdez e da utilização dos outros sentidos. Fei, assim como todos os personagens, foi muito bem construída e passa realmente a aura de uma mulher forte. Porém, me incomodou bastante que fosse preciso de um cara forte e com espírito rebelde para que ela pudesse se colocar à prova. E me incomodou ainda mais quando boa parte das cenas foram em função de criar um romance entre os dois. Peço perdão a quem shippa, mas para mim a química ali passou longe.

Um dos melhores pontos do livro é o relacionamento de Fei com sua irmã Zhang. Mesmo com todas as dificuldades, ela nunca se deixou abalar por saber que existia alguém que precisava dela. E a recíproca é verdadeira. Achei lindo como Mead retratou a força que uma dava à outra.

A premissa do livro é excelente, porém penso que a autora se perdeu um pouco no caminho. O início lento deu lugar a um desenvolvimento rápido, que tornou difícil acompanhar os acontecimentos mais para o final. Acredito que ela inverteu as posições de "menos é mais" e isso fez o conceito cair um bocado.

A crítica social ao sistema de castas é claramente visível na narrativa, assim como um foco político que aparece na medida certa. Richelle mostrou como é fácil manipular a população, principalmente os menos instruídos, e como a posição social reflete na multidão. Esse é outro ponto excelente de Silêncio, a quebra dos padrões e uma desconstrução muito boa dos preconceitos. A própria protagonista tem embrenhado nela esse preconceito, mesmo que ela não se ache melhor. E eu achei ótimo ver como ela reflete sobre isso e amadurece ao longo do enredo.

Silêncio é um bom livro da Richelle, mas não considero o melhor dela. Depois que são superadas as primeiras "estranhezas" é até possível fazer uma leitura proveitosa. Porém, recomendo a leitura, pois é válida principalmente no quesito de desconstrução.